As colônias de abelhas nos Estados Unidos enfrentam uma crise sem precedentes. Segundo pesquisa divulgada pela organização sem fins lucrativos Project Apis m., apicultores comerciais relataram uma perda média de 62% das colônias durante o inverno, a maior já registrada na história do país.
A pesquisa, que segue em andamento, reúne dados de 702 apicultores responsáveis por aproximadamente 1,84 milhão de colônias, o que representa cerca de 68% da população total de abelhas nos EUA. Os impactos são alarmantes, com estimativas de perdas diretas que ultrapassam US$ 224 milhões, considerando apenas o custo médio de reposição por colônia — sem incluir despesas com alimentação, mão de obra ou tratamentos veterinários.
Abalos na apicultura e na cadeia de polinização
De acordo com o Project Apis m., os dados refletem uma realidade preocupante e podem afetar diretamente a produção de alimentos essenciais, uma vez que a polinização realizada pelas abelhas é indispensável para diversas culturas agrícolas.
“As perdas desta temporada coincidiram com o início da polinização das amendoeiras, o que já causou falhas em alguns pomares”, relatou a entidade em comunicado oficial.
Apicultores entrevistados relataram dificuldades financeiras severas. Em um dos relatos anônimos incluídos na pesquisa, um produtor descreveu a impossibilidade de recuperação após perdas consecutivas: “Tivemos que tomar empréstimos, usar a aposentadoria, pedir ajuda à família. Tudo foi investido para manter o negócio. Agora, nem as abelhas mortas sobraram — só caixas vazias”.
Fatores que contribuem para o colapso
Especialistas indicam que o cenário é agravado por múltiplos fatores, incluindo mudanças climáticas, redução da forragem natural devido à expansão urbana e políticas que limitam a criação de abelhas em áreas públicas. Além disso, o uso intensivo de herbicidas e o manejo de lavouras têm reduzido a diversidade floral disponível para as abelhas.
Para suprir a carência de recursos naturais, apicultores têm recorrido cada vez mais a suplementos alimentares, que não oferecem os mesmos benefícios nutricionais. “A situação não apenas persiste, como piora a cada ano”, afirmou Scott McArt, professor de entomologia da Universidade Cornell, ao jornal The Guardian.
Segundo McArt, os impactos podem se estender a outras culturas agrícolas além das amêndoas, caso o declínio populacional das abelhas continue.
Como mitigar a crise
A organização Project Apis m. propõe o uso de culturas de cobertura como alternativa para fornecer forragem nas fazendas, ajudando a garantir fontes de alimentação diversificadas para as colônias.
Além disso, o grupo sugere que cidadãos interessados em apoiar a causa adotem ações simples, como:
- Consumir mel produzido nos EUA
- Disseminar informações sobre o problema
- Apoiar políticas públicas de proteção aos polinizadores
A entidade destaca que a falta de forragem é hoje uma das principais ameaças enfrentadas tanto por abelhas domésticas quanto por polinizadores silvestres.
Um sinal de alerta global
A crise enfrentada pelos apicultores norte-americanos serve como um alerta para o mundo todo. A saúde das abelhas está diretamente ligada à segurança alimentar e à sustentabilidade agrícola. Proteger esses insetos vai além da preservação da biodiversidade — é essencial para manter os sistemas produtivos funcionando.




