Um pátio de extração de madeira na floresta amazônica brasileira. Tarcisio Schnaider / iStock / Getty Images Plus
Um pátio de extração de madeira na floresta amazônica brasileira. Tarcisio Schnaider / iStock / Getty Images Plus

Madeira ilegal da Amazônia brasileira é rastreada em mercados dos EUA e Europa, segundo investigação da EIA

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Uma investigação conduzida pela Environmental Investigation Agency (EIA) revelou que madeira ilegal extraída da Amazônia brasileira está sendo comercializada em mercados dos Estados Unidos e da União Europeia, violando leis internacionais de importação e ampliando os riscos ambientais na região.

O relatório, intitulado “Tricks, Traders and Trees”, rastreou a origem da madeira até cinco pontos de extração no estado do Pará e identificou fraudes sistemáticas em documentos e licenças. As descobertas expõem esquemas de falsificação, corrupção e lavagem de madeira — incluindo o uso de áreas embargadas pelo IBAMA e terras protegidas que também são alvo de mineração ilegal.

“Nossa investigação mostra como a madeira ilegal da Amazônia está inundando os mercados da UE e dos EUA, apesar das leis que proíbem esse comércio. Os consumidores não querem andar sobre restos de floresta tropical destruída”, afirmou Rick Jacobsen, gerente de políticas da EIA US.

Ipê e outras espécies sob risco

A madeira de ipê (Handroanthus spp.), uma das mais valorizadas do mundo por sua resistência e durabilidade, está no centro da investigação. Usada amplamente em projetos como decks públicos — incluindo o calçadão de Long Island, em Nova York —, essa espécie hoje é protegida por convenções internacionais devido à sua escassez causada pelo desmatamento excessivo.

Segundo o relatório, quase um terço da madeira extraída dos estados amazônicos brasileiros é considerada ilegal, mesmo sob uma estimativa conservadora. A fraude inclui a superestimação de volumes de árvores e a falsificação de origem nos documentos de transporte e exportação.

Exportadores e importadores na mira

A EIA identificou 30 importadores nos EUA e Europa que compraram madeira de origem duvidosa. Das 35 empresas exportadoras e serrarias envolvidas, 26 já foram multadas pelo IBAMA, reforçando o caráter sistêmico das irregularidades.

A investigação também aponta a prática recorrente de suborno a políticos e agentes públicos para viabilizar o comércio ilegal de madeira.

Regulação e fragilidades internacionais

Apesar das legislações em vigor — como o Lacey Act nos EUA e o EU Timber Regulation, que será substituído pelo EU Deforestation Regulation (EUDR) — a fiscalização segue frágil. O adiamento da EUDR por um ano e cortes em recursos para aplicação da lei nos EUA são vistos com preocupação por especialistas.

“Este não é o momento de enfraquecer as exigências legais. Precisamos de mais transparência e rastreabilidade para frear o comércio de madeira ilegal que está devastando a floresta amazônica”, disse Jacobsen.

Desafio para o Brasil rumo à COP30

O Brasil tem apresentado metas ambiciosas para reduzir emissões e conter o desmatamento, especialmente diante da COP30, que será realizada em novembro, em Belém (PA). Para especialistas da EIA, combater o comércio ilegal de madeira é essencial para alcançar essas metas.

“A exploração madeireira ilegal funciona como porta de entrada para o desmatamento total. Enfrentá-la será crucial para os compromissos climáticos do Brasil”, destacou Chris Moye, especialista em América Latina da EIA.

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