A equipe de pesquisa implementou uma técnica inovadora de modelagem preditiva para superar as limitações de resolução espacial do rastreamento a laser por satélite, possibilitando o monitoramento a longo prazo das mudanças na massa oceânica global. Crédito: © 2025 Escritório de Pesquisa e Inovação, Universidade Politécnica de Hong Kong. Todos os direitos reservados.
A equipe de pesquisa implementou uma técnica inovadora de modelagem preditiva para superar as limitações de resolução espacial do rastreamento a laser por satélite, possibilitando o monitoramento a longo prazo das mudanças na massa oceânica global. Crédito: © 2025 Escritório de Pesquisa e Inovação, Universidade Politécnica de Hong Kong. Todos os direitos reservados.

Lasers espaciais: Novo estudo revela que oceanos estão subindo mais rápido do que nunca

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O nível do mar não está apenas subindo; ele está acelerando. Através de uma tecnologia de monitoramento de alta precisão chamada Rastreamento a Laser de Satélite (SLR), pesquisadores da Universidade Politécnica de Hong Kong (PolyU) produziram o registro mais detalhado dos últimos 30 anos (1993-2022) sobre as mudanças na massa oceânica global.

O estudo, publicado na prestigiada revista PNAS, confirma que o nível médio global do mar subiu cerca de 90 mm nas últimas três décadas, a uma taxa média de 3,3 mm por ano. O dado mais alarmante, porém, é que o ritmo de subida está cada vez mais intenso, impulsionado diretamente pelo derretimento recorde das geleiras e calotas polares.

As duas engrenagens da elevação do mar

Para entender por que o oceano sobe, a ciência aponta dois fatores principais:

  1. Expansão térmica: A água se expande à medida que aquece. Como os oceanos absorvem 90% do calor retido pelo efeito estufa, eles “incham”.
  2. Nível baristático (aumento de massa): É a adição de água nova no sistema, vinda do gelo que estava em terra (geleiras de montanha e calotas polares).

O papel dominante do derretimento

A inovação deste estudo foi conseguir separar esses dois fatores com precisão inédita. Os pesquisadores descobriram que, desde 2005, o aumento da massa oceânica — ou seja, o “despejo” de água doce no mar — tornou-se o fator principal da elevação do nível das águas, superando a expansão térmica.

Mais de 80% desse aumento de massa vem do derretimento acelerado do gelo terrestre, com destaque para a Groenlândia. Os lasers espaciais mostraram que o derretimento dessas reservas congeladas é agora o grande motor da crise costeira global.

Por que os lasers mudaram o jogo?

Antigamente, os cientistas dependiam de satélites que mediam apenas a “altura” da superfície (altimetria). O uso do laser (SLR) funciona como uma régua de luz que mede distâncias entre a Terra e o espaço com precisão milimétrica, permitindo calcular mudanças na gravidade terrestre. Quando o gelo derrete e a água vai para o mar, a distribuição da massa da Terra muda, alterando sutilmente a gravidade — e os lasers detectam exatamente isso.

O futuro das cidades costeiras

Para o Prof. Jianli Chen, líder da pesquisa, esses dados são cruciais para validar modelos climáticos. Saber exatamente quanto do aumento vem da massa de gelo derretida ajuda a projetar com muito mais segurança quais cidades serão inundadas e quando. “Isso oferece dados fundamentais para projetar cenários futuros e preparar a infraestrutura global para o que está por vir”, afirma Chen.

Fonte: Universidade Politécnica de Hong Kong

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