Os lagartos noturnos sobreviveram à extinção em massa de K-Pg próxima ao local do impacto. Crédito: Biology Letters (2025).
Os lagartos noturnos sobreviveram à extinção em massa de K-Pg próxima ao local do impacto. Crédito: Biology Letters (2025).

Lagartos noturnos sobreviveram ao impacto que dizimou os dinossauros, diz pesquisa

Compartilhe:

Um estudo da Universidade de Yale revelou como uma linhagem de lagartos noturnos (família Xantusiidae) sobreviveu ao impacto catastrófico do asteroide que exterminou os dinossauros há cerca de 66 milhões de anos, desafiando as teorias convencionais sobre resiliência evolutiva.

Apesar de possuírem ninhadas pequenas e viverem em áreas restritas, características que geralmente indicam vulnerabilidade a eventos extremos, esses répteis conseguiram atravessar um dos períodos mais devastadores da história do planeta: a extinção em massa do Cretáceo-Paleogeno (K-Pg).

O mundo antes e depois do impacto

Antes do impacto, a Terra era dominada por florestas densas e uma biodiversidade rica em terra, no mar e no ar. Tudo mudou quando um asteroide de mais de 10 km de diâmetro colidiu com a região de Chicxulub, no atual México, liberando energia equivalente a bilhões de bombas nucleares.

Além do impacto imediato, que vaporizou florestas e causou megaterremotos e tsunamis, o planeta enfrentou um “inverno de impacto”, com queda brusca de temperatura, escurecimento do céu e colapso das cadeias alimentares. Cerca de 75% das espécies vivas foram extintas, incluindo os dinossauros não aviários.

A linhagem resiliente dos lagartos noturnos

O estudo, publicado na revista Biology Letters, usou análises genéticas e fósseis para traçar a história evolutiva de 34 espécies de lagartos noturnos atuais, localizadas na América do Norte, Central e Caribe.

A espécie Cricosaura typica, de Cuba, revelou-se a mais antiga da linhagem, com origem anterior ao evento K-Pg. Já espécies dos gêneros Lepidophyma e Xantusia surgiram posteriormente, há cerca de 12 milhões de anos.

Mesmo com ninhadas médias de dois filhotes e distribuição geográfica limitada, esses lagartos ancestrais resistiram à crise, contrariando a lógica de que ampla dispersão e alta fecundidade seriam essenciais para a sobrevivência.

Por que eles sobreviveram?

A pesquisa sugere que outras características, como habitat protegido, metabolismo controlado e comportamento discreto, podem ter contribuído para sua resistência. Além disso, os lagartos noturnos viviam em regiões que, segundo modelagens moleculares, estavam relativamente próximas ao local do impacto, mas fora da zona de destruição total.

“A sobrevivência desses répteis muda nossa visão sobre quais traços aumentam as chances de resistir a eventos extremos”, afirmam os autores.

Lições para o presente

Em meio a uma nova crise de extinção em massa causada por ações humanas, entender como algumas espécies resistiram a mudanças ambientais abruptas no passado pode ajudar a prever quais grupos estão mais preparados para enfrentar os desafios atuais.

Essa pesquisa contribui para uma compreensão mais refinada da resiliência ecológica e pode informar políticas de conservação focadas não apenas em espécies amplamente distribuídas, mas também em linhagens discretas e adaptadas a nichos específicos.

Fonte: Phys.org

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *