O governo italiano deu sinal verde para um ambicioso projeto de 13,5 bilhões de euros (cerca de R$ 99,5 bilhões) para erguer a Ponte de Messina, que conectará a ilha da Sicília à região da Calábria. A estrutura será a mais longa ponte suspensa já construída, atravessando um dos pontos de maior atividade sísmica do Mediterrâneo.
Resistência e simbolismo
Com previsão de 3,3 quilômetros de extensão e torres de 400 metros de altura, a ponte contará com duas linhas de trem e três faixas de tráfego em cada direção. O projeto foi desenhado para resistir a fortes terremotos, algo essencial na região.
A primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que o empreendimento é um “investimento no presente e no futuro da Itália” e que o país “gosta de desafios difíceis quando eles fazem sentido”.

Impacto econômico e social
Segundo o ministro dos Transportes, Matteo Salvini, a obra poderá gerar 120 mil empregos por ano e impulsionar o desenvolvimento das regiões da Sicília e da Calábria, consideradas entre as mais pobres da Europa. O projeto inclui ainda 40 quilômetros de novas estradas e ferrovias.
A travessia pela ponte terá pedágio estimado em menos de 10 euros por carro.

Obstáculos e controvérsias
Apesar da aprovação, a construção depende ainda de aval do Tribunal de Contas italiano e de agências ambientais nacionais e da União Europeia. Além disso, moradores cujas propriedades serão desapropriadas poderão contestar judicialmente o projeto.
Ao longo dos últimos 50 anos, diversas tentativas de construir a ponte fracassaram por questões financeiras, ambientais e por temores de influência da máfia.
Oposição local
Políticos e grupos comunitários têm criticado a decisão. O senador Nicola Irto (Partido Democrático) classificou o projeto como “controverso e divisionista”, defendendo que os recursos deveriam ser destinados a transporte local, escolas e saúde.
A prefeita de Villa San Giovanni, Giusy Caminiti, alertou para impactos negativos na cidade e pediu mais tempo para consultas públicas. Grupos ambientalistas argumentam que a obra consumirá milhões de litros de água por dia em regiões que sofrem com secas frequentes.

Fonte: BBC News Brasil


