© Marinha do Brasil/ Flickr
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Ilha da Trindade recupera vegetação nativa após remoção de espécie invasora e vira modelo ambiental

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Pesquisa brasileira mostra que natureza pode se regenerar com manejo adequado e atenção às condições climáticas

Uma nova pesquisa conduzida por cientistas brasileiros aponta a Ilha da Trindade, no Espírito Santo, como um exemplo bem-sucedido de restauração ambiental. Entre 1994 e 2024, a ilha registrou um aumento de mais de 1.400% na área florestal e de mais de 300% nas áreas de pastagem, após a retirada de uma espécie invasora: as cabras, introduzidas no local ainda no século 18.

O trabalho foi realizado por pesquisadores do Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas do Museu Nacional da UFRJ e publicado no periódico internacional Journal of Vegetation Science sob o título “Da Perturbação à Recuperação: Desvendando o Papel das Cabras e dos Motores Ecológicos na Dinâmica da Vegetação da Ilha da Trindade, Atlântico Sul, Brasil.”

A remoção das cabras e seus efeitos

As cabras foram levadas à ilha há mais de dois séculos, e sem predadores naturais, sua população se multiplicou rapidamente. O resultado foi devastador: elas se alimentaram de quase todas as espécies vegetais disponíveis, comprometendo a biodiversidade e o equilíbrio ecológico da ilha.

A mudança começou em 2005, com a remoção completa desses animais. A partir de então, a vegetação nativa voltou a se desenvolver, gerando 65 hectares de novas áreas florestais e 325 hectares de novas pastagens.

“As ilhas abrigam ecossistemas frágeis, muitas vezes com espécies exclusivas. A perda de qualquer uma pode ser irreversível”, destacou o professor Nílber Gonçalves da Silva, orientador da pesquisa.

Conjunto de fatores ambientais

Além do impacto direto das cabras, os pesquisadores identificaram que condições climáticas, como o volume de chuvas, também influenciaram na velocidade da recuperação. Anos mais chuvosos favoreceram o ressurgimento da floresta, especialmente quando as populações de cabras já estavam em queda. Já períodos de seca ampliaram os danos em áreas de pastagem até 2004.

Segundo os autores, é essencial considerar tanto fatores biológicos quanto ambientais para entender completamente a dinâmica da restauração ecológica.

Lições para o futuro

A experiência da Ilha da Trindade oferece contribuições valiosas para estratégias globais de restauração, principalmente diante das mudanças climáticas. O estudo propõe o uso de manejo adaptativo, com monitoramento constante das espécies e das condições ambientais, como forma eficaz de reverter danos ecológicos.

“A natureza tem grande potencial de regeneração, mas isso só acontece quando compreendemos e enfrentamos as causas da degradação de maneira ampla e integrada”, concluem os pesquisadores.

A Ilha da Trindade, antes pressionada por séculos de degradação, agora representa um caso exemplar de recuperação ecológica, com potencial para inspirar políticas ambientais em outras regiões insulares e continentais do Brasil e do mundo.

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