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Historiador Soffiati vai doar sua biblioteca particular

“O acervo de oito mil exemplares será doado para UFF, campus de Campos, em breve”

 

Olhar sereno e a tranquilidade de quem tem uma vida dedicada a ouvir e contar histórias. O professor Arthur Soffiati é um apaixonado pela leitura, tanto que ao longo da vida conseguiu reunir oito mil livros. Sua biblioteca particular, conta um pouco o roteiro de sua história na educação, vida pessoal e no compartilhamento de informações ambientais com a sociedade. Aos 76 anos, o historiador ambiental resolveu doar o acervo para Universidade Federal Fluminense, UFF, de Campos.

Ainda não existe uma data para que a doação seja feita, mas a maior parte dos livros deve seguir para faculdade em breve, aguardando apenas a visita de um especialista para fazer um reconhecimento das obras. “Já combinei de fazer a doação para UFF, não vou doar tudo agora. Sei que preciso manter unida a biblioteca, mas os antigos vão ficar comigo, mas depois da morte vai seguir tudo para a UFF. Preciso ter alguma coisa para acalentar a minha velhice. Eu preciso segurar, sentir o cheiro, viver no meio de livro é um prazer muito grande”, afirma Soffiati.

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Para ter espaço para tantos exemplares, o historiador teve que alugar uma casa apenas para abrigar a biblioteca particular, uma vez por semana uma pessoa cuida da conservação dos exemplares. São documentos históricos e alguns livros bem raros, cada exemplar que o historiador tem em casa, retrata um pouco da sua caminhada na vida. Tem filosofia, religião, folclore, geografia, meio ambiente, dentre outros assuntos.

“Além da biblioteca, tem muitos documentos históricos e ambientais da região, histórias relacionada a todas as atividades que tive enquanto atuei em cargos. Entre eles, fui presidente de uma Ong, só não continuei porque acabou mesmo o trabalho. A Ong atuou de 1977 ao ano de 2000”, explica Soffiati.

Raridades

Entre as raridades o destaque é para dois livros alemães, um com data de 1820 e outro 1821. Sem falar que tem também as primeiras edições de Mário de Andrade, que morreu aos 51 anos. “Os dois livros alemães nunca consegui ler, porque está em Alemão, mas sei que narra uma viagem que o autor fez no Brasil. São dois volumes, ele passou em nossa região e nos estados vizinhos pelo litoral. Ele deixou muitas informações, desenhos e informações em uma época que isso era raro”, afirma o historiador. Soffiati acrescenta ainda, que essas primeiras edições de Mário de Andrade são das décadas de 20 e 30, foi justamente o escritor que inspirou o historiador ao interesse da leitura.

Historiador de massas

E não acabou, a biblioteca de Soffiati é um espaço que retrata um pouco da sua bagagem de vida, tanto na educação como no jornalismo, isso porque ele nunca deixou de dar entrevistas para inúmeros veículos e também, porque sempre gostou de escrever artigos nos mais diversificados jornais. Nesse mundo digital, aos 76 anos, ele escreve colunas para sites, blogs jornalísticos e ainda tem seu próprio cantinho, para escrever o que a mente não consegue guardar.

“Eu fui criado num mundo assim, autores que tinham conhecimento especifico, mas sabiam escrever para um público maior. Todo dia estou escrevendo um livro, sempre escrevo em artigos informações que podem virar livros”, destaca Soffiati.

Autor de 40 livros

O dom e a paixão por escrever sempre foi a mola que impulsionou Soffiati, tanto que além de artigos publicados em jornais e revistas, ele é autor de 40 livros. O primeiro ele escreveu no final dos anos 60 e naquela época, não foi publicado. O exemplar contava um pouco sobre folclore, jogos e brincadeiras. Quase 15 anos depois, o livro foi publicado com o apoio do Governo Federal e circulou o Brasil inteiro. Quase que um documental sobre brincadeiras de infância.

“Eu leio em média 80 livros por ano, já cheguei a marca mais alta, 110. Eu leio uns três ao mesmo tempo, sempre de temas diferentes. Depois da pandemia, lancei 10 livros, acho que trabalhei bastante, mesmo tendo a covid duas vezes”, finaliza o historiador.

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Soffiati no Rota Verde:

Arthur Soffiati escreve aqui para o Rota Verde acompanhe sua coluna:

Coluna – Arthur Soffiati

 

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