Perda recorde expõe vulnerabilidade da Grande Barreira de Corais
A Grande Barreira de Corais, um dos ecossistemas mais ricos e icônicos do planeta, registrou em 2024 sua maior perda anual de corais vivos em quase quatro décadas de monitoramento. Segundo o Instituto Australiano de Ciências Marinhas, a redução foi causada principalmente pelo branqueamento em massa ocorrido no último ano, fenômeno intensificado pelas mudanças climáticas.
Apesar do impacto, o nível de cobertura de corais vivos ainda se mantém próximo à média histórica, graças ao crescimento observado desde 2017. No entanto, o relatório alerta para uma nova fase de volatilidade ecológica, na qual eventos extremos podem causar quedas abruptas mesmo após períodos de recuperação.

Impacto regional e números alarmantes
A pesquisa divide a Grande Barreira — que se estende por 1.500 km ao longo da costa de Queensland — em três regiões: norte, central e sul. Entre 2023 e 2024, a perda de cobertura de corais vivos foi de:
- Quase 33% no sul
- 25% no norte
- 14% na região central
O branqueamento recente faz parte do maior evento global do tipo já registrado, iniciado em janeiro de 2023 e declarado crise mundial em abril de 2024. O estresse térmico já afetou 84% dos recifes de corais do planeta, atingindo pelo menos 83 países.

Por que o branqueamento é tão preocupante
Os corais dependem da simbiose com microalgas que vivem em seus tecidos e lhes conferem cor e energia. Quando a temperatura da água ultrapassa limites críticos por semanas, os corais expulsam essas algas, ficando brancos e enfraquecidos. Embora nem todos morram imediatamente, eles se tornam mais vulneráveis a doenças e têm menos capacidade de se recuperar.
Historicamente, recifes de corais conseguem se regenerar, mas eventos consecutivos — como os observados na Grande Barreira em meados da década de 2010 — reduzem sua resistência e alteram a composição das comunidades marinhas.
Risco crescente com o aquecimento global
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) já alertou que os recifes tropicais correm risco muito alto de colapso se o aquecimento global ultrapassar 1,2°C em relação aos níveis pré-industriais. O mundo já aqueceu 1,3°C, o que coloca ecossistemas como a Grande Barreira de Corais em situação crítica.
O relatório australiano sugere que a comunidade científica pode ter subestimado a velocidade e a intensidade dos impactos climáticos sobre os recifes. Em um cenário acima de 1,5°C, ecossistemas dominados por corais podem desaparecer de muitos locais, levando à perda quase total de sua biodiversidade.
Fonte: https://phys.org/


