Geração de energia solar alcança marca histórica no mundo

Produção fotovoltaica na América Latina cresceu 44% em 2021, desempenho puxado pelo Brasil e Chile, principalmente

Foto: internet

Dados do “Global Market Outlook for Solar Power 2022-2026”, relatório de referência para os avanços do mercado de energia solar no mundo e projeções de crescimento, revelam que a produção fotovoltaica alcançou 1 TW de capacidade instalada no mundo.

A marca histórica foi ultrapassada, segundo o relatório, há alguns dias e revela a performance da renovável que há 20 anos tinha apenas 2 GW globais. Em 2021, pela primeira vez, e apesar dos impactos da pandemia, foram instalados mais de 200 GW de energia solar no mundo. Com este desempenho, essa passa a ser a segunda renovável no ranking depois da energia hídrica.

“Vejo com alegria o anúncio feito na Global Market Outlook For Solar Power 2022-2026 da Solar Power Europe. A energia solar é uma fonte renovável de importante na contribuição para o avanço da transição energética mundial. Entretanto, devemos pontuar que ela por si só não é suficiente para o atendimento da demanda mundial”, ressaltou Luiz Fernando Rosa Mendes, doutor em Ciências Naturais e professor do IFFluminense, onde leciona sobre Energia e Meio Ambiente.

Ainda segundo ele, é necessário que o setor esteja também atento aos impactos ao ambiente no que diz respeito a extração do recurso natural para obtenção dos módulos fotovoltaicos, tais como: silício, alumínio, vidro, prata, cobre, etc.

O foco desta edição do Global Market Outlook for Solar Power é na América Latina, região que cresceu 44% em 2021, desempenho puxado pelo Brasil e Chile, principalmente.

O Brasil, inclusive, é um dos principais destaques do relatório da Solar Power Europe, associação com sede em Bruxelas e que reúne mais de 260 organizações do setor. Nas projeções ambiciosas do estudo, o país pode chegar a 54 GW de capacidade solar até 2026.

“Eu creio que o país precisa ampliar os incentivos e subsídios do uso da energia solar, seja térmica quanto fotovoltaica, principalmente para as classes de menor renda. Essas classes mais pobres são aquelas que mais sofrem com os aumentos sucessivos nas tarifas de energia elétrica e são também as com menor resiliência às crises hidroenergéticas. Essa lógica deveria também se estender aos produtores rurais, principalmente os da agricultura familiar”, destacou o professor.

Hoje a energia solar ocupa a quinta posição na matriz elétrica brasileira, com 15,3 GW de capacidade instalada em operação.

Segundo o levantamento de entidades do setor, o mercado de energia solar teria trazido investimentos de R$ 82 bilhões ao Brasil desde 2012 e evitado a emissão de 22 milhões de toneladas de CO2 na geração de eletricidade.

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Potencial do RJ é mapeado

Apontado como um dos expoentes na geração de energia limpa no país, o Rio de Janeiro lançou há uma semana o Mapa da Produção de Energia Solar no estado. A publicação feita pelo Governo fluminense apresenta o cenário de produção, as oportunidades de crescimento e as iniciativas do Executivo para estimular os investimentos na geração de energia limpa no estado.

– O Rio de Janeiro tem um enorme potencial para o desenvolvimento da energia solar, que já alavancou cerca de R$ 1,9 bilhão em investimentos no estado e criou mais de 10 mil vagas de emprego para a população. É uma fonte de energia limpa e sustentável, que traz inúmeros benefícios ambientais e também promove significativa economia nas contas por ser bem mais barata – afirma o governador Cláudio Castro.

O Mapa, elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais, em parceria com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), mostra que o estado ocupa o 8º lugar no ranking nacional de geração distribuída, com potência instalada atual de mais de 428 MW, correspondendo a 4,05% da matriz energética brasileira.

O Rio de Janeiro é também o 5º estado do Brasil em quantidade de sistemas solares instalados: mais de 45 mil casas, mil propriedades rurais, 3.500 comércios e 250 indústrias utilizam a fonte, e há mais de 100 sistemas instalados.

Além disso, o Rio de Janeiro possui hoje 10 projetos de geração centralizada, que totalizam a potência de mais de 4,5 MWp e geração de até 7,4 GWh/ano. Dois outros projetos estão em fase de construção, em São João da Barra, no Norte Fluminense, e totalizam a potência de 468 MWp.

– Este é o segundo de uma série de estudos sobre a geração de energia renovável no estado. Os próximos serão sobre o potencial de geração de energia eólica offshore e hidrogênio, que vamos lançar durante um evento sobre energias renováveis, programado para julho – explica o secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais, Cássio Coelho.

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Destaque para o Norte Fluminense

Vista como uma região promissora ao desenvolvimento de energia limpa, o Norte Fluminense conta, desde 2021, com a primeira cooperativa de energia solar do Estado do Rio de Janeiro. Instalada na localidade de Caetá, à margem da BR 356, em São João da Barra, a Cooperativa de Energia Solar Fotovoltaica (Cosolar) conta com 150 placas, que produzem energia para abastecer residências não só no município, como também em Campos e até em Macaé.

“Atualmente temos 20 cooperados, mas já como a procura está muito grande estamos trabalhando pela expansão. A nossa demanda tem aumentado, tendo em vista a série de vantagens que uma cooperativa permite. Por exemplo, não precisa mexer no telhado, o que facilita o uso por moradores de edifícios ou de quem paga aluguel. Sem contar os ganhos em escala, pois a instalação fica mais barata”, explica Rodrigo Martins, um dos cooperados-fundadores da Cosolar.

O processo para geração de energia, segundo a Cosolar funciona assim: “a cooperativa instala uma central de geração de energia renovável em uma área da cooperativa, transfere essa energia para a rede de sua concessionária local e distribui entre os cooperados os créditos de energia limpa, proporcionalmente às suas cotas na cooperativa. Além do mais, incentiva a economia e conscientização ambiental”.

As instalações e manutenções do sistema são feitos pela cooperativa, ou seja, não é preciso comprar equipamentos. Segundo os representantes da cooperativa, se sua conta custa R$ 500,00, com o capital investido e mais as taxas de manutenção você pode ter uma economia de R$ 300,00.

“A Região norte Fluminense tem a maior incidência de radiação solar do estado do Rio de Janeiro, as edificações predominantes são residências com telhados e nosso relevo ainda contribui”, comentou o e professor do IFFluminense, Luiz Fernando Rosa Mendes.

Empresas também aproveitam o bom momento

O crescimento na demanda pela instalação da energia solar também está sendo sentido por empresas que executam projetos de instalação, como é o caso da LCA Energia Solar, com atuação em Campos e outras cidades do Norte e Noroeste Fluminense, além da Região dos Lagos e Sul do Espírito Santo.

“Nossa demanda depois do Carnaval, aumentou bastante! Na verdade, vem numa crescente desde ano passado. Trabalhamos desde 2019 com energia solar. Fornecemos material, instalamos e homologamos na concessionária”, afirmou o diretor geral da LCA, Victor Alvarenga.

O investimento não é dos mais baixos, mas as promessas de retorno em economia na conta de luz têm feito cada vez mais pessoas a recorrerem à energia solar. Um projeto básico inicial sai em média a R$ 13 mil.

“Há procura tanto empresarial como residencial, porém acabamos executando mais residencial em quantidade por mês. Mas a procura comercial aumenta a cada dia”, contou Victor Alvarenga.

Segundo o portifólio da empresa, com a instalação dos painéis solares, o imóvel é capaz de produzir toda a energia que consome, o que pode chegar a uma economia de 95% na conta de luz já no primeiro mês após a implantação. O retorno do investimento para instalação varia de projeto para projeto, mas geralmente gira em torno de 2 a 5 anos.

Morador de Campos, Jorge William Manhães Virgilio instalou o sistema de energia solar em 2017 na sua casa e, diante do bom retorno, motivou os seus familiares a também implantar na casa que era dos pais.

“Na casa da nossa família a gente pagava de R$ 900,00 a R$ 1000,00, hoje a conta vem no máximo R$ 250,00. Além de ser uma energia limpa e estar contribuindo para o meio ambiente, a economia nos valores da conta é muito significativo”, salientou Jorge.

Além da casa da família dele, na sua própria residência, o sistema tem surtido o efeito esperado, tanto que por lá ele já tem produzido energia excedente ao seu consumo, que pretende direcionar ao imóvel de praia em Santa Clara, em São Francisco de Itabapoana.

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