Suicide Basin, onde o acúmulo de água represada desencadeou a enchente glacial que atingiu Juneau, Alasca — Foto: United States Geological Survey
Suicide Basin, onde o acúmulo de água represada desencadeou a enchente glacial que atingiu Juneau, Alasca — Foto: United States Geological Survey

Geleira rompe e provoca inundações históricas no Alasca, reforçando alerta sobre crise climática

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Derretimento de geleira no Alasca causa evacuação e reforça impacto das mudanças climáticas

A cidade de Juneau, capital do Alasca (EUA), entrou em estado de emergência após o rompimento de uma barragem natural formada pelo glaciar Mendenhall. O evento provocou uma inundação recorde e forçou a evacuação de moradores que vivem em áreas de risco, intensificando os alertas sobre os efeitos do aquecimento global em regiões polares.

O colapso ocorreu no chamado Suicide Basin, uma bacia glacial que se tornou símbolo do avanço das mudanças climáticas. A água represada — uma combinação de gelo derretido e chuvas — desceu rapidamente em direção ao lago Mendenhall e depois ao rio de mesmo nome, que corta a cidade. O nível do rio atingiu 16,65 pés (cerca de 5 metros), superando o recorde anterior, de 2023.

O que é uma GLOF e por que ela preocupa?

O fenômeno registrado em Juneau é classificado como uma glacial lake outburst flood (GLOF) — inundações repentinas provocadas pelo transbordamento de lagos formados por derretimento de geleiras.

Desde 2011, esse tipo de evento se tornou quase anual na região, resultado direto do recuo acelerado do glaciar Suicide, que antes era conectado ao Mendenhall. A enchente de 2023, por exemplo, destruiu casas e provocou intensa erosão no vale.

Estudos indicam que a liberação de água pode chegar a 15 bilhões de galões, o equivalente a 23 mil piscinas olímpicas.

Estrutura de casa desaba após erosão causada por enchente glacial no rio Mendenhall, em Juneau (Alasca), em 8 de agosto de 2023. Evento recorde condenou diversas residências na capital do estado — Foto: Christopher S. Miller for The Washington Post via Getty Images

Alasca aquece o dobro da média nacional

Dados da NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional) mostram que o Alasca aqueceu duas vezes mais rápido do que o restante dos Estados Unidos nas últimas décadas. A temperatura média anual no estado subiu 1,7°C em 100 anos.

Esse aquecimento tem causado derretimento acelerado das geleiras, como o Mendenhall, que recuam entre 30 e 45 metros por ano. O próprio Suicide Basin só existe devido à retração de um glaciar menor — evidência do quanto o cenário glacial da região está se transformando.

Medidas emergenciais e monitoramento em tempo real

Para conter os danos, a prefeitura de Juneau instalou 3,2 km de barreiras temporárias, protegendo cerca de 460 propriedades. O governador do Alasca, Mike Dunleavy, declarou estado de desastre, ativando recursos emergenciais.

O USGS (Serviço Geológico dos EUA) também atua na região, com uso de sensores, câmeras e lasers para monitoramento em tempo real das geleiras e do fluxo de água.

“Nosso sistema permite alertar com antecedência os gestores locais, o que é essencial para proteger vidas”, afirmou Jeff Conaway, cientista do USGS.

As ferramentas também ajudam a modelar riscos futuros, prever impactos em pontes e estradas, e apoiar decisões sobre infraestrutura.

E o futuro das geleiras?

Pesquisadores acreditam que o glaciar Mendenhall ainda pode atuar como barragem natural por mais 25 a 60 anos. No entanto, enquanto isso, eventos extremos como o de Juneau devem se repetir com mais frequência, especialmente se não houver políticas eficazes de enfrentamento às mudanças climáticas.

Especialistas alertam que o que ocorre no Alasca é um aviso global. Outras regiões montanhosas e glaciais — como os Andes, o Himalaia e até os Alpes — enfrentam riscos semelhantes, colocando populações inteiras sob ameaça.

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