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Fóssil de ave descoberto na Antártida pode ser o mais antigo parente dos patos e gansos modernos

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Descoberta na Antártida revela pistas sobre a evolução das aves modernas

Uma descoberta paleontológica na Antártida está ajudando a reescrever a história da evolução das aves modernas. Pesquisadores encontraram um crânio quase completo de um fóssil datado de 69 milhões de anos, pertencente à espécie extinta Vegavis iaai, que pode ser o parente mais antigo conhecido de patos e gansos. O estudo foi publicado na revista Nature e liderado pelo paleontólogo Christopher Torres, da Ohio University, nos Estados Unidos.

Esse achado fornece novas evidências sobre a origem das aves modernas e sugere que a Antártida pode ter sido um refúgio crucial para algumas espécies durante o evento de extinção que eliminou os dinossauros não aviários no final do Período Cretáceo, há cerca de 66 milhões de anos.

Christopher Torres, ex-pesquisador de pós-doutorado da NSF na Universidade de Ohio e autor principal do artigo que descreve um novo crânio do pássaro de 69 milhões de anos, Vegavis iaai, que já habitou os oceanos rasos da costa da atual Antártida. Crédito: Ben Siegel, BSVC ’02 (Universidade de Ohio), 2021

A importância do fóssil Vegavis iaai

O fóssil foi encontrado durante uma expedição em 2011 do Projeto de Paleontologia da Península Antártica, mas sua análise aprofundada só foi concluída recentemente. Até então, as informações sobre Vegavis iaai eram baseadas em fósseis incompletos, gerando debates entre paleontólogos sobre sua posição na árvore evolutiva das aves.

O novo crânio fossilizado apresenta características anatômicas únicas, como um bico longo e pontudo e um formato cerebral distinto de outras aves conhecidas da Era Mesozóica. Essa descoberta reforça a hipótese de que Vegavis pertence ao grupo que inclui todas as aves modernas, sendo uma evidência essencial da diversificação das aves aquáticas antes da grande extinção do Cretáceo.

“Poucas aves geraram tantas discussões entre paleontólogos quanto Vegavis. Este novo fóssil vai ajudar a resolver muitas dessas questões, especialmente sobre onde essa espécie se encaixa na evolução das aves modernas”, explicou o autor do estudo, Christopher Torres.

Reconstrução digital da ave coroa do Cretáceo Superior (~69 milhões de anos) Vegavis iaai que foi concluída após microtomografia computadorizada de alta resolução de uma concreção contendo fósseis descoberta na Ilha Vega, Península Antártica. Crédito: Joseph Groenke (Universidade de Ohio) e Christopher Torres (Universidade do Pacífico), 2025.

Como era a vida do Vegavis iaai?

O estudo indica que Vegavis iaai possuía músculos mandibulares poderosos, sugerindo que essa ave mergulhava para capturar peixes, diferentemente da maioria dos patos modernos. Além disso, as evidências indicam que ele utilizava os pés para propulsão subaquática, um comportamento similar ao de aves aquáticas como mergulhões e gansos-das-neves.

Essa adaptação diferenciada indica que as aves modernas que sobreviveram ao evento de extinção do Cretáceo desenvolveram estratégias diversas para se alimentar e prosperar em diferentes ecossistemas.

“Esse fóssil reforça a importância da Antártida para a evolução inicial das aves modernas. Enquanto em outras partes do mundo as aves do Cretáceo eram muito diferentes das espécies atuais, na Antártida elas parecem ter desenvolvido características mais próximas das aves que conhecemos hoje”, destacou Patrick O’Connor, coautor do estudo.

Reconstrução esquelética do pássaro coroa Vegavis iaai do Cretáceo Superior (~69 milhões de anos). Ossos preservados do crânio e esqueleto retratados em branco. Crédito: Christopher Torres (University of the Pacific), 2025.

Antártida: um berço para a evolução das aves modernas?

A descoberta do fóssil Vegavis iaai na Antártida reforça a teoria de que a região pode ter sido um refúgio crucial para algumas espécies durante o evento de extinção em massa, causado pelo impacto de um asteroide no atual México.

Durante o Cretáceo, a Antártida tinha um clima mais ameno, com vegetação exuberante e ecossistemas ricos, o que pode ter favorecido a sobrevivência e diversificação de algumas aves enquanto outras espécies desapareciam em outras partes do planeta.

Além disso, o fóssil de Vegavis se diferencia das aves primitivas encontradas em outros locais, como Madagascar e Argentina, onde foram descobertas espécies bizarras com dentes e longas caudas ósseas.

“A Antártida é, de muitas maneiras, a fronteira final para a compreensão da vida durante a Era dos Dinossauros. Esta descoberta nos ajuda a entender melhor como as aves modernas surgiram e se espalharam pelo mundo”, afirmou Matthew Lamanna, coautor do estudo.

Um dia típico em acampamento de campo na Ilha Vega, perto da Península Antártica. Crédito: Jin Meng (American Museum of Natural History), 2016.
Desembarque de helicóptero para conduzir pesquisa geológica e paleontológica de estratos do Cretáceo Superior na Ilha Vega, Península Antártica. Crédito: Patrick O’Connor (Universidade de Ohio), 2016.

Um novo capítulo na história da evolução das aves

O estudo liderado pela equipe da Ohio University representa um avanço significativo no entendimento da origem das aves modernas. O fóssil de Vegavis iaai mostra que os ancestrais dos patos e gansos modernos já existiam antes da extinção dos dinossauros, desafiando teorias anteriores sobre a evolução das aves.

A pesquisa ainda levanta novas questões sobre como a Antártida influenciou a evolução e a diversificação das aves modernas, abrindo caminho para futuras descobertas nesse continente gelado, que continua a revelar segredos sobre a vida na Terra há milhões de anos.

Fontes:
Nature (2024)
Ohio University
Science Daily

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