Uma infecção viral gigante na alga unicelular Florenciella. Os vírus gigantes podem ser vistos saindo da célula de Florenciella com seus capsídeos hexagonais que envolvem seu material genético. Foto: Grieg Steward, Ph.D. Universidade do Havaí em Manoa.
Uma infecção viral gigante na alga unicelular Florenciella. Os vírus gigantes podem ser vistos saindo da célula de Florenciella com seus capsídeos hexagonais que envolvem seu material genético. Foto: Grieg Steward, Ph.D. Universidade do Havaí em Manoa.

Estudo identifica 230 vírus gigantes nos oceanos com capacidade de alterar a fotossíntese

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Descoberta revela papel biológico e potencial impacto ambiental dos vírus gigantes na proliferação de algas nocivas e no equilíbrio marinho

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Miami revelou a presença de 230 novos vírus gigantes nos oceanos, com capacidade de modificar processos de fotossíntese em organismos marinhos unicelulares. A pesquisa, publicada na revista Nature npj Viruses, representa um avanço no entendimento sobre como esses vírus influenciam os ecossistemas marinhos e a saúde dos oceanos.

Utilizando dados metagenômicos de grandes expedições científicas globais e técnicas de bioinformática avançadas, os cientistas conseguiram recuperar e analisar genomas de vírus até então desconhecidos. Esses vírus infectam protistas — como algas e amebas — que formam a base da cadeia alimentar marinha. Durante a infecção, os vírus podem interferir no metabolismo e até manipular a fotossíntese dos hospedeiros.

“Descobrimos que esses vírus carregam genes tradicionalmente associados a organismos celulares, como os ligados ao metabolismo do carbono e à fotossíntese”, explica Benjamin Minch, principal autor da pesquisa e doutorando em Biologia Marinha e Ecologia. “Isso sugere que eles podem exercer influência significativa sobre a biogeoquímica dos oceanos.”

Nova ferramenta de análise e aplicações em biodiversidade e saúde pública

Para realizar a identificação, os cientistas desenvolveram o BEREN, uma ferramenta de bioinformática que permite a recuperação de genomas virais eucarióticos em grandes bancos de dados ambientais. O programa analisou dados de nove projetos internacionais, incluindo amostras de DNA de regiões oceânicas do Ártico à Antártida.

Foram identificadas 530 novas proteínas funcionais, incluindo nove relacionadas diretamente à fotossíntese, o que levanta novas possibilidades para a biotecnologia. Além disso, o estudo amplia o entendimento sobre o papel dos vírus na proliferação de algas nocivas, fenômeno que pode causar impactos à saúde pública, turismo e pesca.

“Vírus gigantes são uma das principais causas de mortalidade de fitoplânctons, que sustentam as teias alimentares oceânicas”, destaca Mohammad Moniruzzaman, coautor do estudo. “Compreender como eles funcionam pode ser fundamental para prever surtos de algas tóxicas ou proteger ecossistemas sensíveis.”

Além do valor ecológico, a pesquisa aponta que esses microrganismos podem ter aplicações industriais e científicas, a partir da descoberta de enzimas inovadoras presentes em seus genomas.

Fonte: Escola de Ciências Marinhas, Atmosféricas e da Terra da Universidade de Miami Rosenstiel

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