Raios de sol iluminam uma nuvem de pequenos peixes na Reserva Marinha de Scandola, Córsega, França, em 18 de junho de 2017. Alexis Rosenfeld / Getty Images
Raios de sol iluminam uma nuvem de pequenos peixes na Reserva Marinha de Scandola, Córsega, França, em 18 de junho de 2017. Alexis Rosenfeld / Getty Images

Escurecimento dos oceanos já afeta 21% das águas globais, aponta estudo

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Um novo estudo científico publicado na revista Global Change Biology revela um dado preocupante: cerca de 21% dos oceanos do mundo vêm escurecendo nas últimas duas décadas, o que representa aproximadamente 75 milhões de quilômetros quadrados de superfície marinha.

O fenômeno, conhecido como escurecimento dos oceanos, ocorre quando a zona fótica – camada da água onde a luz solar e lunar penetra e sustenta processos ecológicos vitais – perde profundidade, reduzindo drasticamente as áreas habitáveis para a fauna marinha.

O que são as zonas fóticas?

As zonas fóticas são regiões da coluna d’água onde a luz solar e lunar permite atividades como fotossíntese e reprodução de organismos marinhos. São cruciais para o equilíbrio ecológico, já que cerca de 90% da vida marinha depende diretamente delas.

“Se essa camada se reduzir em até 50 metros, os animais que dependem da luz precisarão subir à superfície, onde a competição por alimento e espaço é mais intensa”, explica Tim Smyth, coautor do estudo e pesquisador do Laboratório Marinho de Plymouth.

Impactos ambientais do escurecimento

De acordo com o estudo, conduzido por pesquisadores das universidades de Plymouth (Reino Unido) e com dados do Ocean Color Web da NASA, os impactos são preocupantes:

  • 9% dos oceanos perderam mais de 50 metros de profundidade na zona fótica;
  • 2,6% dos oceanos perderam mais de 100 metros, afetando ecossistemas inteiros;
  • Regiões mais afetadas incluem Ártico, Antártida e partes da Corrente do Golfo – áreas já sensíveis às mudanças climáticas.

Causas do escurecimento dos oceanos

Os cientistas atribuem o escurecimento a diversos fatores ambientais e climáticos, entre eles:

  • Escoamento agrícola, que carrega nutrientes e sedimentos para o mar;
  • Aumento das chuvas, impulsionado pelas mudanças climáticas;
  • Proliferação de algas, que consomem oxigênio e bloqueiam a luz;
  • Aquecimento da superfície oceânica, que modifica a circulação da água.

Consequências ecológicas e humanas

As consequências podem ser graves:

  • Diminuição da produtividade biológica dos oceanos;
  • Aumento da competição por recursos entre espécies marinhas;
  • Alterações em ciclos de reprodução, alimentação e migração;
  • Comprometimento de serviços ecossistêmicos essenciais, como a captura de carbono e a produção de oxigênio.

“Dependemos das zonas fóticas para o ar que respiramos, os peixes que comemos e para combater as mudanças climáticas”, alerta Thomas Davies, professor de conservação marinha e coautor do estudo.

O que os cientistas propõem?

O estudo ainda destaca que 10% dos oceanos ficaram mais claros, demonstrando que a situação pode variar regionalmente. Ainda assim, os pesquisadores defendem:

  • Monitoramento contínuo por satélite, como já realizado pela NASA;
  • Redução do uso de fertilizantes agrícolas, que contribuem para o escoamento de nutrientes;
  • Ações de mitigação climática, para reduzir o impacto das emissões de carbono nos oceanos.

Um chamado à ação

O escurecimento dos oceanos é um alerta global sobre a fragilidade dos ecossistemas marinhos frente às ações humanas e às mudanças climáticas. A conservação da zona fótica é vital para preservar a biodiversidade marinha e garantir a segurança ambiental do planeta.

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