Um novo estudo publicado na revista Nature Climate Change alerta que a escassez de minerais essenciais pode comprometer o cumprimento das metas climáticas globais e dificultar a transição para uma economia de baixo carbono.
Materiais como prata, estanho, lítio, índio e irídio desempenham papéis fundamentais no desenvolvimento de tecnologias de energia renovável e armazenamento, mas sua oferta pode não acompanhar a crescente demanda até o fim do século.
Dependência mineral na transição energética
O cumprimento das metas do Acordo de Paris — manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C ou 2°C em relação aos níveis pré-industriais até 2100 — exige acesso sustentável a uma ampla gama de minerais críticos.
- Lítio e cobalto: essenciais para baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.
- Telúrio e gálio: usados na fabricação de painéis solares de alta eficiência.
- Prata e estanho: aplicados em componentes eletrônicos e sistemas fotovoltaicos.
Segundo os pesquisadores, liderados por Yi-Ming Wei, do Instituto de Política Energética da Universidade de Pequim, a escassez desses minerais pode atrasar ou encarecer projetos de energia solar, eólica, nuclear e de armazenamento, especialmente em países em desenvolvimento.
Resultados da pesquisa
O estudo analisou 40 minerais essenciais aplicados em 17 tecnologias-chave, incluindo geração de energia renovável, armazenamento, transporte elétrico e redes inteligentes.
- Foram considerados 557 cenários de mitigação climática baseados nos caminhos do IPCC.
- Mesmo com avanços tecnológicos e melhoria na reciclagem, todos os cenários apontam para escassez de até 12 minerais até 2100, mesmo mantendo o aquecimento abaixo de 2°C.
- Em países em desenvolvimento do Oriente Médio, África e Sul da Ásia, a carência pode chegar a 24 minerais diferentes.
Possíveis soluções e desafios
Os autores sugerem que parte da escassez poderia ser atenuada pela substituição de materiais e pelo desenvolvimento de tecnologias alternativas. Por exemplo:
- Trocar baterias com cobalto por modelos de fosfato de ferro-lítio.
- Melhorar as cadeias globais de reciclagem de metais raros.
- Aumentar a cooperação internacional para o comércio de minerais estratégicos.
Entretanto, eles alertam que essas mudanças podem gerar novas demandas sobre outros minerais, transferindo o problema de um material para outro.

Fonte: Nature Publishing Group


