Um novo relatório do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) revela um cenário alarmante para a conservação na Amazônia Legal: o desmatamento está “batendo à porta” e, em muitos casos, já invadiu os territórios protegidos. O estudo Ameaça e Pressão em Áreas Protegidas, referente ao último trimestre de 2025, mostra que as unidades estaduais são as mais vulneráveis a esse avanço.
Entenda a diferença: Ameaça vs. pressão
Para mapear a devastação, o Imazon utiliza dois conceitos fundamentais baseados em imagens de satélite:
- Ameaça: É o desmatamento que ocorre no entorno, a uma distância de até 10 km (zona de amortecimento) dos limites da área protegida. É o alerta de que o crime ambiental está se aproximando.
- Pressão: Ocorre quando o desmatamento já cruzou a fronteira e está acontecendo dentro do território protegido.
O alerta das unidades estaduais
O dado mais crítico do relatório aponta que, nas Unidades de Conservação Estaduais, o índice de ameaça e pressão é idêntico (50% cada). Isso significa que, para cada área desmatada no entorno, há uma área equivalente sendo destruída dentro da reserva, indicando uma falha severa na fiscalização dessas áreas sob gestão dos estados.
Nas áreas federais e Terras Indígenas (TIs), o padrão é diferente: a ameaça externa é maior (cerca de 69%), o que mostra que esses territórios ainda conseguem segurar a invasão melhor do que as reservas estaduais, embora o “cerco” continue apertando.
Rankings da devastação (Out-Dez 2025)
O Imazon identificou as áreas que mais sofreram com a atividade criminosa no fim de 2025:
| Ranking | Mais pressionadas (Dentro) | Mais ameaçadas (Entorno) |
| 1º | Resex Chico Mendes (AC) | Flona de Saracá-Taquera (PA) |
| 2º | APA Triunfo do Xingu (PA) | Resex Chico Mendes (AC) |
| 3º | Resex Tapajós-Arapiuns (PA) | Resex Tapajós-Arapiuns (PA) |
Ineficiência no enfrentamento
A pesquisadora Bianca Santos destaca que a série histórica do Imazon mostra uma “dança das cadeiras” trágica: áreas que antes eram apenas ameaçadas (desmatamento vizinho) acabam se tornando pressionadas (desmatamento interno) pouco tempo depois. A recorrência das mesmas reservas no topo do ranking ano após ano evidencia que as ações de combate ao desmatamento não estão sendo eficazes em pontos críticos da Amazônia.


