Uma equipe da Universidade da Flórida desenvolveu um método inovador de monitoramento da fauna utilizando drones combinados com modelagem estatística, que revelou o maior sítio de nidificação já registrado para a tartaruga-gigante-sul-americana (Podocnemis expansa).
O levantamento documentou mais de 41 mil indivíduos reunidos nas margens do Rio Guaporé, na Amazônia, e foi publicado no Journal of Applied Ecology.
Como funciona a nova técnica
O método utiliza imagens aéreas de alta resolução, chamadas ortomosaicos, que unem centenas de fotos captadas por drones. Diferente da contagem tradicional em solo, o sistema reduz erros comuns como contagens duplicadas ou a perda de animais em movimento.
Durante 12 dias, pesquisadores marcaram 1.187 tartarugas com tinta branca nos cascos e realizaram voos diários com drones, registrando cerca de 1.500 fotos por trajeto. As imagens foram analisadas com softwares que permitiram rastrear indivíduos, distinguir comportamentos (como nidificação e deslocamento) e corrigir margens de erro.
Sem os ajustes, observadores chegaram a contar até 79 mil tartarugas. Já em solo, a estimativa foi de 16 mil. Com os modelos matemáticos aplicados, o número real ficou em torno de 41 mil, tornando este o maior megassítio de reprodução conhecido da espécie.
Importância para a conservação
A tartaruga-gigante-sul-americana, ameaçada pela caça ilegal de carne e ovos, é uma espécie altamente social: as fêmeas se reúnem todos os anos, entre julho e agosto, para depositar ovos em bancos de areia do rio.
O monitoramento preciso é essencial para avaliar se as populações estão estáveis, em declínio ou respondendo positivamente a esforços de conservação.
Segundo o pesquisador Ismael Brack, líder do estudo, o novo método não se limita às tartarugas:
“Podemos adaptar a técnica para monitorar outras espécies com maior precisão, como focas, alces e até cabras-montesas.”
Próximos passos
A equipe pretende expandir os voos de drones pelo Rio Guaporé e em outros países da América do Sul, como Colômbia, Peru e Venezuela, onde a espécie também se reproduz.
A expectativa é que, ao reunir dados de diferentes regiões, organizações como a Wildlife Conservation Society possam detectar tendências populacionais e direcionar investimentos de forma mais estratégica para proteger a espécie.
Fonte: Universidade da Flórida


