Foto: Ricardo Stuckert
Foto: Ricardo Stuckert

Do ralo ao tanque: Catadores viram peça-chave na produção de combustível renovável da Petrobras

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O que antes era um resíduo doméstico problemático e poluente agora é ouro líquido para a economia circular brasileira. Em uma agenda histórica realizada sexta-feira (20/3), em Betim (MG), o protagonismo dos catadores de materiais recicláveis foi consolidado como pilar estratégico na produção de biocombustíveis. A parceria entre o Governo Federal e a Petrobras coloca as cooperativas no centro da cadeia do Diesel R, o novo combustível sustentável do país.

O anúncio, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na refinaria de Minas Gerais (Regap), detalha um investimento de R$ 9 bilhões para modernizar a produção e ampliar o uso de conteúdo renovável.

A magia do Diesel R: Tecnologia e inclusão

O Diesel R é produzido através do coprocessamento de derivados de petróleo com matérias-primas vegetais, como o óleo de cozinha usado (UCO – Used Cooking Oil). É aqui que entram os catadores: as associações e cooperativas passam a atuar como os principais agentes de coleta desse óleo junto à população e grandes geradores (restaurantes e indústrias).

Essa dinâmica resolve dois problemas de uma vez:

  1. Ambiental: Evita o descarte irregular de óleo, que contamina milhões de litros de água e entope redes de esgoto.
  2. Social: Gera uma nova e poderosa fonte de renda para os catadores, em um momento crítico de queda nos preços de outros recicláveis, como o plástico e o papel.

Centros de distribuição (Hubs): O próximo passo

A visão para o futuro do programa é ambiciosa. Segundo Roberto Rocha, presidente da ANCAT (Associação Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis), o objetivo é transformar as redes de cooperativas em hubs logísticos.

Esses centros funcionariam como agregadores de grandes volumes, conectando diretamente os catadores à indústria pesada e às refinarias da Petrobras, eliminando atravessadores e garantindo que o valor da transição energética fique com quem trabalha na coleta.

Simbolismo e soberania

A presença da catadora Madalena, de Contagem (MG), no palco com as autoridades, foi o gesto simbólico que marcou o evento. Para o Movimento Nacional dos Catadores (MNCR), isso representa o reconhecimento de que não existe “Brasil Sustentável” sem a inclusão produtiva de sua base.

“Vi de perto o que significa soberania nacional de verdade. Estamos investindo na refinaria, gerando empregos e apontando para o futuro da nossa energia”, destacou o presidente Lula durante a visita.

O impacto no ecossistema

O programa deve ser expandido para outras refinarias da Petrobras ao redor do Brasil. Essa iniciativa é o exemplo perfeito de que a transição energética não precisa ser apenas “verde”, ela precisa ser justa. Ao integrar o óleo de cozinha na matriz de transporte, o Brasil fortalece sua soberania energética e prova que a tecnologia de ponta pode (e deve) caminhar de mãos dadas com a justiça social.

Fonte: www.ancat.org.br

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