A cor vibrante de um fungo encontrado entre as árvores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) pode ser a chave para a próxima geração de cosméticos ecológicos. Pesquisadores da UNESP Araraquara, em parceria com a USP e a Universidade de Lisboa, desenvolveram um corante natural a partir do fungo Talaromyces amestolkiae que não apenas colore, mas também trata a pele.
O estudo, publicado na revista científica ACS Omega, demonstrou que o extrato vermelho produzido pelo microrganismo funciona perfeitamente em formulações de cremes faciais, xampus e géis em bastão, mantendo a textura e o desempenho que o consumidor espera.
Mais que cor: Um escudo antioxidante
A grande vantagem do corante amazônico sobre os sintéticos — muitos dos quais vêm sendo banidos globalmente por causarem alergias — é a sua funcionalidade biológica:
- Poder antioxidante: O extrato reduziu em mais de 75% as substâncias que causam danos celulares ao entrar em contato com a pele.
- Segurança comprovada: Testes de viabilidade celular mostraram que o produto é seguro e não compromete a saúde dos tecidos cutâneos.
- Ação antibacteriana: O composto auxilia na preservação e na saúde da pele, agregando valor ao produto final.
Uma década de ciência e bioprospecção
A descoberta não foi por acaso. A professora Valéria de Carvalho Santos-Ebinuma e sua equipe levaram mais de 10 anos para chegar ao estágio atual. O segredo foi simular em laboratório o calor intenso de Manaus, condição que o fungo “prefere” para produzir sua pigmentação vermelha intensa.
“Conseguimos demonstrar que esse corante pode ser aplicado sem causar impacto na experiência do cliente, mas com o benefício de ser um produto de origem natural”, explica Juliana Barone Teixeira, autora principal da pesquisa.
O futuro da bioeconomia Amazônica
O projeto, financiado pela FAPESP, agora foca em escala. O desafio dos pesquisadores é saltar da produção laboratorial para a industrial. Além dos cosméticos, o grupo já estuda o uso desses pigmentos em tecidos e alimentos, como gelatinas.
Essa pesquisa reforça o potencial inesgotável da floresta: “Há muito a descobrir na biodiversidade amazônica. Pode haver outras espécies semelhantes com potenciais que ainda nem imaginamos”, destaca Ebinuma.
Fonte: Agência FAPESP


