Caminhões de mineração de carvão em uma mina de carvão a céu aberto em Kalimantan, Indonésia, em 8 de dezembro de 2024. Afriadi Hikmal / NurPhoto via Getty Images
Caminhões de mineração de carvão em uma mina de carvão a céu aberto em Kalimantan, Indonésia, em 8 de dezembro de 2024. Afriadi Hikmal / NurPhoto via Getty Images

Dia da Sobrecarga da Terra 2025 é o mais precoce da história e alerta para ritmo insustentável de consumo

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O Dia da Sobrecarga da Terra 2025 foi registrado em 24 de julho, a data mais antecipada desde o início do cálculo desse marco ecológico, feito pela primeira vez em 2006 pela Global Footprint Network. O indicador representa o momento do ano em que a demanda da humanidade por recursos naturais ultrapassa a capacidade de regeneração do planeta para aquele ano.

Desde a sua criação, o Dia da Sobrecarga vem sendo usado como um termômetro do desequilíbrio ambiental. E o resultado de 2025 sinaliza uma grave aceleração da exploração de recursos naturais, que agora ocorre 1,8 vezes mais rápido do que os ecossistemas conseguem se recuperar.

Histórico da data mostra tendência de agravamento

Apesar de o cálculo oficial ter começado em 2006, os dados mais recentes revisaram anos anteriores para maior precisão. Em 1972, por exemplo, a data caiu em 31 de dezembro. No final da década de 1980, já havia sido antecipada para outubro, e chegou a setembro em 1999. Em 2018, entrou no mês de julho, retornou brevemente a agosto em 2020, e permaneceu em julho desde então. O recorde mais precoce era 25 de julho, registrado em 2022 e 2023.

Pressão sobre os ecossistemas

A sobrecarga ecológica está diretamente ligada à exploração de água doce, pesca predatória, desmatamento e excesso de emissões de carbono. O resultado é o colapso dos serviços ecossistêmicos, como a regulação do clima, a fertilidade do solo e a disponibilidade de alimentos e água potável.

A Global Footprint Network alerta que o esgotamento contínuo e acumulado pressiona ainda mais os sistemas ambientais. Atualmente, a humanidade já ultrapassou sete dos nove limites planetários, o que compromete a estabilidade do planeta como o conhecemos.

“Já se passou um quarto do século XXI, e devemos à Terra ao menos 22 anos de regeneração ecológica”, afirmou Lewis Akenji, membro do conselho da Global Footprint Network, em um comunicado.

Soluções possíveis: ainda há tempo

A boa notícia é que ações concretas podem adiar significativamente o Dia da Sobrecarga da Terra. A campanha “O Poder da Possibilidade” detalha medidas capazes de reverter o cenário:

  • Reduzir as emissões de carbono em 50%: adia a data em 3 meses;
  • Reduzir o desperdício global de alimentos pela metade: adia em 13 dias;
  • Adotar um Novo Acordo Verde global: adia em 42 dias;
  • Produzir 75% da eletricidade com fontes renováveis: adia em 26 dias.

“O overshoot vai acabar, seja por colapso ou por planejamento. A escolha está em nossas mãos”, reforçou Mathis Wackernagel, cofundador da Global Footprint Network.

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