O desmatamento na Amazônia Legal registrou uma queda de 18% no mês de junho de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Segundo dados divulgados pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), foram destruídos 326 km² de floresta. No entanto, o cenário geral segue preocupante: o acumulado entre agosto de 2024 e julho de 2025 já soma 3.151 km² devastados — um aumento de 11% em relação ao período anterior.
Embora o número represente o segundo menor índice anual desde 2016, superando apenas o de 2024 (2.848 km²), os especialistas alertam que a destruição da vegetação nativa ainda ocorre em ritmo alarmante.
“Essa baixa pode refletir os resultados das ações de prevenção e fiscalização, mas os números elevados indicam que a vegetação nativa segue sendo destruída em ritmo preocupante e reforçam a necessidade de intensificar essas medidas”, destaca Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.
Três estados concentram quase 80% da devastação
Amazonas, Mato Grosso e Pará são os principais responsáveis pela perda florestal registrada em junho, concentrando 79% da área desmatada. A cidade de Apuí (AM) aparece no topo da lista dos municípios com maior área destruída no mês, seguida por Nova Maringá (MT), Lábrea (AM), Marcelândia (MT), Itaituba (PA) e Colniza (MT).
No caso do Amazonas, o estado abriga cinco dos dez assentamentos com maior perda de cobertura vegetal e cinco das dez Terras Indígenas mais afetadas pelo desmatamento — reflexo da pressão crescente sobre áreas tradicionalmente protegidas.
Pará lidera degradação florestal com 57% do total
O Pará se destaca negativamente por concentrar 57% das áreas degradadas na Amazônia. Entre agosto de 2024 e junho de 2025, quase 35 mil km² de floresta foram degradados, o equivalente a quatro vezes o registrado no ciclo anterior. A área supera, por exemplo, o território total de Porto Velho (RO), a maior capital em extensão do Brasil.
O avanço da degradação é atribuído às intensas queimadas ocorridas entre setembro e outubro de 2024, que deixaram marcas profundas nas Unidades de Conservação — 10 das mais afetadas estão no Pará.


