A Lemúria perdida ressurge: zircões do Oceano Índico revivem a lenda de um continente submerso. Ilustração. (crédito da foto : Tatiana Popova. Via Shutterstock)
A Lemúria perdida ressurge: zircões do Oceano Índico revivem a lenda de um continente submerso. Ilustração. (crédito da foto : Tatiana Popova. Via Shutterstock)

Descoberta de zircões em Maurício fortalece hipótese do continente perdido “Maurícia”

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Uma nova análise científica está trazendo à tona evidências concretas de um possível continente submerso sob o Oceano Índico, reacendendo o debate sobre a lendária Lemúria — uma terra há muito desaparecida da cartografia, mas presente na imaginação científica desde o século XIX.

Vestígios de um continente sob lava e mar

Publicado na plataforma ResearchGate, o estudo liderado pelo geocientista Jothi Jayaraman, do Instituto Leibniz de Geofísica Aplicada, apresenta zircões com mais de 3 bilhões de anos encontrados em rochas vulcânicas da ilha de Maurício. Esses cristais microscópicos são mais antigos que a própria formação da ilha e indicam que sua origem pode estar ligada a um fragmento continental perdido: o microcontinente “Maurícia”.

Zircões funcionam como cápsulas do tempo geológicas, preservando em seu interior assinaturas químicas que revelam a idade e a origem da crosta terrestre onde se formaram. As amostras de Maurício foram comparadas a rochas igualmente antigas encontradas na Índia e em Madagascar, sugerindo que essas massas de terra já estiveram unidas antes da separação por ação da tectônica de placas.

Espessura anômala e base continental sob o Planalto das Mascarenhas

O estudo também analisou dados sísmicos e gravitacionais, que mostram que o Planalto das Mascarenhas, onde se encontra a ilha de Maurício, possui uma crosta com até 30 km de espessura — o dobro da média oceânica e característica típica de crostas continentais soterradas por lava basáltica.

Esses dados geofísicos reforçam a hipótese de que fragmentos significativos de crosta continental permanecem submersos no Oceano Índico, ocultos sob camadas de magma solidificado.

Uma lenda vitoriana revisitada com ciência do século XXI

A ideia de um continente perdido entre a Índia e Madagascar não é nova. Em 1894, o zoólogo britânico Philip Sclater criou o termo “Lemúria” para explicar a presença de lêmures em regiões tão distantes, sem registros na África continental. Embora a teoria tenha sido desacreditada com o avanço da geologia moderna, Jayaraman retoma a ideia com base em evidências geocientíficas contemporâneas.

Segundo o autor, os zircões revelam que a Lemúria pode ter uma base factual, agora reinterpretada como Maurícia, um bloco continental fragmentado que pode ter sido do tamanho da Groenlândia antes de se separar e afundar.

Fragmentos ou um supercontinente perdido?

Críticos apontam que a fragmentação de microcontinentes é comum durante processos de rifteamento e que nem sempre essas estruturas formam uma massa contínua. Ainda assim, o volume e a antiguidade dos cristais, somados à espessura da crosta na região, reforçam que uma grande extensão de terra firme já existiu ali e pode ter abrigado ecossistemas únicos agora desaparecidos.

Perfurações futuras podem confirmar hipótese

Jayaraman conclui que novas perfurações planejadas no Planalto das Mascarenhas serão decisivas para confirmar ou refutar a existência de Maurícia como um verdadeiro continente perdido. Os resultados também podem refinar modelos sobre a formação dos supercontinentes, além de trazer novas pistas sobre correntes oceânicas pré-históricas e mudanças climáticas globais.

Se comprovada, a hipótese transforma uma antiga lenda científica em um novo capítulo da geologia moderna, conectando os enigmas do passado às ferramentas tecnológicas do presente.

Fonte: JPost

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