Segunda colheita de horta na Escola Senador Dirceu Cardoso evidencia o engajamento de estudantes com o letramento científico, unindo teoria, prática e parceria com a Ufes.
A rotina da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFMTI) Senador Dirceu Cardoso, localizada em Muqui (ES), ganhou um novo ritmo e muito mais cor. O que começou como o cultivo de uma horta escolar transformou-se em um verdadeiro laboratório vivo de investigação científica. A realização da segunda colheita do projeto de letramento científico marcou mais uma etapa de um trabalho profundo que aproxima estudantes, professores e a universidade.

O projeto é uma iniciativa da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), desenvolvida por professores do Departamento de Agronomia do Centro de Ciências Agrárias e Engenharias (CCAE), em parceria com professores da EEEFMTI Senador Dirceu Cardoso. Sob a coordenação do professor Paulo Cesar dos Santos e com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), a proposta utiliza a horta escolar para estimular a observação, a investigação e a análise crítica dos alunos.
PANCs e plantas aromáticas despertam a curiosidade
Além das tradicionais hortaliças, como a alface, o cultivo de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) e de ervas aromáticas tem chamado a atenção dos estudantes. A diversidade botânica desperta questionamentos imediatos sobre os usos culinários, as propriedades das espécies e as condições necessárias para o desenvolvimento de cada planta.
Para Lucas Santos Castiglioni, bolsista do projeto e graduando em Agronomia, o entusiasmo dos alunos transforma a vivência em uma via de mão dupla para a formação acadêmica. “É muito bom acompanhar o envolvimento deles e perceber que a curiosidade vai além da colheita. As PANCs e as plantas aromáticas despertam perguntas sobre a diversidade de plantas que podemos cultivar. Para mim, também é uma oportunidade de aprender a compartilhar o que estudo na universidade”, destaca Lucas.

A horta como laboratório vivo de aprendizagem
O professor Matheus Trugilho Lopes, que leciona Ciências e Biologia no ensino fundamental e médio, ressalta que o espaço verde proporciona oportunidades pedagógicas que superam o planejamento tradicional. “A horta tem sido nosso laboratório vivo. Temos percebido mudanças na maneira como os estudantes observam, fazem perguntas e descobrem, na prática, aquilo que estudamos em Ciências. A cada etapa, surgem oportunidades de aprender que vão além do que estava previsto no planejamento”, relata o educador.
A professora Ana Paula reforça o impacto na formação integral dos jovens. Segundo ela, ver a ciência inserida em coisas simples do dia a dia desenvolve não apenas o conhecimento ambiental, mas competências como paciência, responsabilidade e protagonismo juvenil.

Aproximação entre universidade, escola e comunidade
Para Leandro Pin Dalvi, chefe do Departamento de Agronomia da Ufes, a iniciativa fortalece a aproximação entre a universidade e a educação básica. “Projetos como esse permitem compartilhar o conhecimento produzido na universidade e construir novas experiências com os professores e estudantes da escola. Ao despertar a curiosidade e incentivar a investigação, contribuímos para que os alunos compreendam a ciência como parte de sua formação e de seu cotidiano”, destaca Leandro.
A diretora do Centro de Ciências Agrárias e Engenharias da Ufes, professora Louisiane de Carvalho Nunes, ressalta a importância institucional da parceria. “Essa iniciativa expressa o compromisso da Ufes com a educação pública e com o desenvolvimento das comunidades em que atua. A integração entre universidade e escola amplia o acesso ao conhecimento científico e fortalece a formação dos estudantes. Para o CCAE, apoiar ações dessa natureza é uma forma de aproximar ensino, pesquisa, inovação e extensão das demandas da sociedade”, afirma a diretora.
Educação que transforma o futuro
Encerrando o ciclo pedagógico da iniciativa, o coordenador do projeto, professor Paulo Cesar dos Santos, resume a essência do letramento científico na prática escolar. “Já utilizei a horta como ferramenta de ensino, mas colocar o letramento científico e a análise crítica dos alunos no centro da proposta tem sido uma experiência diferente. Além de ensinar a cultivar, buscamos estimular os estudantes a perguntar, observar e buscar explicações para o que acontece. A colheita é uma etapa importante, mas o aprendizado também está no caminho percorrido até ela”, conclui o coordenador.
Entre o plantio e a colheita, a horta escolar em Muqui prova que a educação científica se constrói no dia a dia, transformando o cultivo em uma rica oportunidade de aprendizado, investigação e cidadania.




