A primeira edição da Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, encerrada em Santa Marta (Colômbia), consolidou uma mudança de paradigma: a substituição do petróleo, gás e carvão não é apenas uma urgência ambiental, mas um pilar de soberania e segurança nacional. O evento inédito abriu caminho para a próxima cúpula, confirmada para 2027 em Tuvalu, no Oceano Pacífico, com copresidência da Irlanda.
A escolha de Tuvalu é simbólica, uma vez que o país insular está na linha de frente dos riscos de submersão devido à elevação do nível do mar. A transição, que começou com a liderança de Colômbia e Países Baixos, agora ganha a força das nações mais vulneráveis ao aquecimento global.
O legado de Santa Marta: Segurança energética e paz
A cúpula contou com a participação de 57 países e foi impulsionada pela recente instabilidade nos preços do petróleo. Para os líderes presentes, a dependência de fontes fósseis tornou as economias reféns de conflitos geopolíticos.
De acordo com Ana Toni, diretora-executiva da COP30, o foco agora é a implementação. “Precisamos traduzir o que estamos fazendo aqui em impactos reais na vida das pessoas. Está cada vez mais evidente que estamos falando de segurança energética, econômica e paz”, avaliou.
Principais resultados do encontro:
- Coordenação Regional: Acordo para elaborar planos nacionais e regionais mais robustos para a substituição de fósseis.
- Políticas Comerciais: Alinhamento entre nações para fortalecer setores da economia verde.
- Barreiras Financeiras: Propostas para destravar o financiamento necessário para a mudança da matriz energética global.
- Sede em São Paulo: O anúncio do Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET), que será sediado na capital paulista, reforçando o protagonismo brasileiro.
Um espaço de diálogo fora da burocracia da ONU
Diferente das tradicionais conferências do clima da ONU, este encontro não visava a produção de um documento oficial vinculante. O objetivo central, segundo a ministra colombiana Irene Vélez Torres, foi criar um fórum formal para discutir temas que frequentemente são negligenciados em outras cúpulas.
Santa Marta resultará em um relatório técnico com sugestões de governos e movimentos sociais. Esse documento servirá de insumo para o Mapa do Caminho Global, coordenado pela presidência da COP30, visando a descarbonização efetiva.
Rumo a 2027: O papel das coalizões
Para especialistas do setor, como Stela Herschmann, do Observatório do Clima, nenhum país superará a dependência fóssil de forma isolada. O processo iniciado em Santa Marta deve gerar uma coalizão de forças capaz de influenciar bancos multilaterais, a Convenção Tributária da ONU e a Organização Marítima Internacional.
A conferência de 2027 em Tuvalu promete aprofundar esses debates, garantindo que a desfossilização das economias ocorra de forma inclusiva e baseada nos direitos humanos.
Fonte: ClimaInfo


