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Crise climática triplica mortes por calor e causa tragédia silenciosa na Europa

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A crise climática é a principal responsável por um aumento alarmante de mortes na Europa. Uma análise preliminar, ainda não revisada por pares, do Imperial College London (ICL) aponta que duas em cada três mortes por calor no continente no verão de 2025 foram causadas pelas mudanças climáticas. A pesquisa, que cobriu 854 cidades europeias, revelou que as temperaturas, que chegaram a 46 °C em países como Itália, Alemanha e França, estavam 3,6 °C mais altas do que o normal.

Os cientistas cruzaram dados de temperatura e mortalidade para simular um mundo sem aquecimento global. Eles descobriram que, das 24,4 mil mortes por calor entre junho e agosto, 16,5 mil podem ser diretamente atribuídas ao excesso de calor provocado pela crise do clima.

A maior parte das vítimas era idosa. O estudo mostra que 85% dos mortos tinham mais de 65 anos, e 41% tinham mais de 85 anos. Diante do cenário, entidades médicas têm solicitado aos governos europeus a criação de planos de ação para mitigar os efeitos do calor extremo, com medidas como a instalação de mais espaços verdes e ar-condicionado para grupos vulneráveis.

A onda de calor como “assassina silenciosa”

Garyfallos Konstantinoudis, professor do Instituto Grantham para Mudanças Climáticas, que participou do estudo, define as ondas de calor como “assassinas silenciosas”. Ele destaca que um aumento de apenas 2 °C a 4 °C na temperatura pode fazer a diferença entre a vida e a morte para milhares de pessoas.

Segundo a climatologista do ICL, Friederike Otto, a ligação entre a queima de combustíveis fósseis e o aumento da mortalidade pelo calor é “innegável”. Ela enfatiza que, se a queima de combustíveis fósseis tivesse sido evitada nas últimas décadas, a maioria das 24.400 pessoas na Europa não teria morrido neste verão.

Mortes por calor: um problema global

A letalidade das ondas de calor não se restringe à Europa. Um estudo recente da Universidade Monash, na Austrália, revelou que mais de mil mortes no país entre 2016 e 2019 foram causadas por calor intenso. Recentemente, a avaliação nacional de risco climático da Austrália identificou as ondas de calor como o perigo climático que mais causa mortes no país.

O estudo australiano também identificou os grupos mais vulneráveis. As maiores taxas de mortalidade foram observadas em comunidades com maior número de idosos, desigualdade de gênero, pessoas que necessitam de assistência e indivíduos com menor renda ou escolaridade.

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