O monitoramento contínuo da AMOC só começou em 2004. (Crédito da imagem: andrej67 via Getty Images)
O monitoramento contínuo da AMOC só começou em 2004. (Crédito da imagem: andrej67 via Getty Images)

Corrente oceânica vital pode enfraquecer 60% a mais do que o previsto até 2100

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Um estudo publicado na última semana na revista Science Advances traz projeções sombrias sobre a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC). Este sistema de correntes funciona como uma gigantesca esteira transportadora, levando o calor dos trópicos para o Hemisfério Norte e mantendo o clima equilibrado em três continentes. A nova análise aponta que a AMOC deve desacelerar entre 43% e 59% até o final do século — um enfraquecimento 60% maior do que as projeções anteriores indicavam.

Ao incluir variáveis mais precisas de salinidade e temperatura da superfície, os cientistas alertam que estamos perigosamente próximos de um “ponto de não retorno”.

O novo estudo sugere que quanto maior a salinidade simulada da superfície do mar no Atlântico Sul, menor será a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC) em 2100.(Crédito da imagem: Portmann et al, Science Advances (2026) CC-BY-NC )

O que acontece se a AMOC colapsar?

Um colapso total deste sistema seria catastrófico e irreversível por centenas de anos. As consequências redesenhariam a vida na Terra:

  • Europa em congelamento: Enquanto o mundo aquece, as temperaturas no norte da Europa despencariam, enquanto o sul sofreria com secas extremas.
  • Fome global: A capacidade de cultivar milho e trigo (40% das calorias do mundo) seria reduzida pela metade.
  • Nível do mar: Haveria uma subida acentuada e perigosa do nível do mar na costa nordeste da América do Norte.
  • Ecossistemas em colapso: Toda a cadeia alimentar marinha seria interrompida pela mudança na temperatura e nos nutrientes.

Ciência em debate: Incerteza ou urgência?

Apesar do tom alarmante, a comunidade científica pede cautela. Especialistas ouvidos pela Live Science lembram que as projeções variam muito conforme as variáveis utilizadas nos modelos.

  • Variabilidade: Laura Jackson (Met Office) e María Paz Chidichimo (CONICET) ressaltam que ainda existe uma “grande dispersão” nas projeções, o que torna incerto o momento exato de um possível colapso.
  • Novas métodos: O estudo atual utilizou uma técnica estatística avançada (regressão linear por crista) que reduziu o erro de previsão em 79%, o que dá mais peso aos seus resultados preocupantes.

“O enfraquecimento projetado é tão grande que é muito provável que a AMOC esteja a caminho de um colapso total”, afirma Stefan Rahmstorf, um dos maiores especialistas em física oceânica do mundo.

“As nações precisam se preparar agora”

Para muitos especialistas, a discussão não deve ser apenas sobre quando a corrente irá parar, mas sobre o que já está acontecendo. O enfraquecimento da AMOC já está em curso desde o século XIX, e seus impactos socioeconômicos já são sentidos em padrões de chuva e temperatura. A mensagem da ciência é clara: o tempo de apenas observar os modelos acabou; a adaptação precisa ser imediata.


O Raio-X da AMOC:

  • 51%: Média de desaceleração prevista até 2100 por este novo estudo.
  • 60%: O quanto este enfraquecimento é maior do que se imaginava anteriormente.
  • 2004: Ano em que o monitoramento contínuo e real da AMOC começou.
  • 79%: Redução do erro de cálculo permitida pelo novo método estatístico.

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