Com a expectativa de receber cerca de 50 mil pessoas na COP30, Belém está montando um plano especial de mobilidade para garantir que delegados, observadores e visitantes consigam circular entre os principais pontos do evento e da cidade. A estratégia inclui desde ônibus exclusivos para credenciados até medidas como férias escolares e trabalho remoto para servidores públicos, a fim de aliviar o trânsito.
Segundo o prefeito Igor Normando (MDB), a principal aposta será a oferta de transporte gratuito para credenciados da Blue Zone, a área oficial da conferência onde ocorrem as negociações, no Parque da Cidade, localizado a 6 km do aeroporto.
Medidas para desafogar o trânsito
Para reduzir a sobrecarga nas vias, o plano prevê:
- Férias escolares em Belém, Ananindeua e Marituba.
- Autorização de trabalho remoto para servidores públicos.
- Ampliação da frota de ônibus de linha, com veículos climatizados, acessíveis e com wi-fi.
- Interdições temporárias de ruas em áreas sensíveis, como o entorno do Parque da Cidade, Aeroporto e Porto de Outeiro.
- Capacitação de motoristas de aplicativos, incluindo noções de atendimento e inglês.
A prefeitura também trabalha na criação de linhas expressas de ônibus, que ligarão pontos estratégicos como aeroporto, Parque da Cidade, Hangar Centro de Convenções, Estação das Docas e bairros centrais, evitando trajetos longos entre hospedagens espalhadas por toda a cidade, já que a rede hoteleira local não será suficiente para acomodar todos os participantes.
Transporte alternativo: mototáxi e patinetes
Além dos ônibus, os visitantes poderão contar com opções populares de transporte em Belém:
- Mototáxis: regulamentados e amplamente usados na capital, oferecem deslocamentos rápidos e de baixo custo — especialmente em dias de trânsito intenso.
- Aplicativos de transporte: Uber e 99 já operam na cidade; a 99, inclusive, lançou motos elétricas, com meta de ampliar a frota até a COP.
- Patinetes elétricos: desde agosto, a empresa russa Jet disponibilizou 600 unidades em caráter experimental. A cobrança é de R$ 0,49 por minuto (após taxa inicial) ou R$ 30 por hora, com velocidade limitada a 20 km/h em ciclofaixas e 40 km/h em vias.
Estrutura e desafios
Belém não conta com metrô, e obras como o BRT, iniciadas há 15 anos, ainda não foram concluídas. Por isso, o transporte coletivo e privado terá papel central durante a conferência.
Alguns pontos da cidade, como o Porto de Outeiro, receberão grande fluxo de visitantes. O local está sendo revitalizado para abrigar dois cruzeiros transatlânticos, somando 6 mil leitos extras. Uma nova ponte, prevista para ser entregue em setembro de 2025, deve reduzir pela metade o tempo de viagem até o Parque da Cidade.
O que esperar
Com experiências de outras COPs, como Baku e Dubai, Belém aposta em um modelo de integração entre transporte coletivo e privado. Mas, mesmo com planos robustos, os veteranos deixam o recado: prepare-se para caminhar. Afinal, em grandes conferências, a mobilidade depende tanto da logística oficial quanto da disposição de “bater perna” entre os eventos.
Fonte: Capital Reset


