Crédito: Yogendra Singh da Pexels
Crédito: Yogendra Singh da Pexels

Antibióticos de uso humano estão contaminando rios em escala global, alerta estudo

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Antibióticos de uso humano poluem milhões de quilômetros de rios


Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, revelou que antibióticos consumidos por humanos estão contaminando rios em todo o mundo. Segundo a pesquisa, publicada na revista científica PNAS Nexus, cerca de 8.500 toneladas desses medicamentos acabam despejadas nos sistemas fluviais globais todos os anos, mesmo após passarem por estações de tratamento de esgoto.

A estimativa representa quase um terço do total de antibióticos consumidos globalmente e evidencia um cenário preocupante de contaminação crônica e cumulativa das águas. O estudo é o primeiro a oferecer uma visão de escala global da poluição fluvial exclusivamente associada ao uso humano de antibióticos.

Riscos ecológicos e à saúde pública

Embora as concentrações dos resíduos sejam, em muitos casos, extremamente pequenas e difíceis de detectar, os pesquisadores alertam que a exposição prolongada desses compostos nos rios promove a resistência antimicrobiana e ameaça a vida aquática.

“A exposição ambiental crônica a antibióticos pode representar riscos sérios à saúde humana e aos ecossistemas aquáticos”, afirmou a geógrafa Heloisa Ehalt Macedo, pós-doutoranda na McGill e principal autora do estudo.

Os cientistas reforçam que os antibióticos continuam sendo essenciais para a medicina, mas alertam para efeitos colaterais ambientais que precisam de atenção urgente.

Ásia concentra maior risco de contaminação

Utilizando um modelo global validado com dados de campo de quase 900 pontos fluviais monitorados, os autores identificaram que o Sudeste Asiático é uma das regiões mais críticas, devido à combinação de alto consumo de antibióticos e infraestrutura limitada de saneamento básico.

A amoxicilina, um dos antibióticos mais amplamente utilizados no mundo, foi apontada como o composto com maior probabilidade de estar presente em níveis perigosos, especialmente em países em desenvolvimento.

Poluição humana já é crítica — e sem considerar a pecuária

Um dos aspectos mais alarmantes do estudo é que ele não incluiu fontes industriais ou veterinárias — como o uso de antibióticos em rebanhos e efluentes de indústrias farmacêuticas — que também são grandes poluentes.

“Mesmo considerando apenas o consumo humano, os níveis de contaminação já são críticos. A inclusão de fontes veterinárias e industriais agravaria ainda mais esse cenário”, destacou o engenheiro ambiental Jim Nicell, coautor do estudo.

Chamado à ação: monitoramento e gestão

Os pesquisadores defendem que os países estabeleçam programas de monitoramento contínuo para identificar a presença de antibióticos nos cursos d’água, sobretudo nas regiões mais vulneráveis.

“Não se trata de proibir o uso de antibióticos, mas de entender e controlar os impactos ambientais associados ao seu descarte inadequado”, explicou Bernhard Lehner, professor de hidrologia global e coautor do estudo.

O trabalho enfatiza a urgência de se integrar a saúde pública, o meio ambiente e a gestão sanitária numa abordagem única e coordenada — princípio central do conceito “Uma Só Saúde” (One Health).

O estudo da Universidade McGill traz dados inéditos sobre como o uso comum de antibióticos está contribuindo para uma crise ambiental silenciosa. A contaminação de rios por antibióticos de uso humano precisa entrar com urgência na agenda de políticas públicas, com foco em saneamento, monitoramento e regulação de resíduos farmacêuticos.

Fonte: Universidade McGill

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