Teve início na Alemanha, a 62ª sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, conhecida como Conferência de Bonn. O evento marca o primeiro encontro presencial do ano com foco nas negociações que culminarão na COP30, marcada para novembro em Belém (PA). Até o dia 26 de junho, representantes de quase 200 países discutirão caminhos concretos para avançar na agenda climática global.
O encontro é considerado essencial para alinhar expectativas e definir prioridades antes da conferência principal no Brasil. Além disso, funciona como um termômetro das relações entre os países e sua disposição em cooperar diante dos desafios climáticos cada vez mais urgentes.
Brasil na liderança das negociações climáticas
Como anfitrião da próxima COP, o Brasil assumiu protagonismo nas articulações diplomáticas e apresentou uma proposta ambiciosa: reconstruir a confiança entre os países. A iniciativa inclui uma reunião prévia — o chamado “Dia Zero” — com líderes de delegações para abrir diálogo direto e promover um ambiente mais colaborativo.
A delegação brasileira estabeleceu como prioridade três grandes frentes:
- Estabelecer indicadores claros para medir o progresso no Objetivo Global de Adaptação (GGA);
- Garantir a implementação dos compromissos assumidos no último Balanço Global (GST);
- Fortalecer o Programa de Trabalho para uma Transição Justa (JTWP), com foco em inclusão social, trabalho digno e energia limpa.
Temas centrais em debate
Durante as sessões, dezenas de temas técnicos serão tratados, mas alguns ganham destaque por sua urgência e impacto. Entre eles:
- Adaptação climática: Criação de métricas e indicadores para medir o avanço das políticas de adaptação em diferentes países;
- Financiamento climático: Esforço para destravar fundos e ampliar o apoio a países em desenvolvimento;
- Transição justa: Estruturação de estratégias que garantam justiça social na transição energética e no combate às mudanças climáticas;
- Emissões e NDCs: Monitoramento e revisão das metas nacionais de redução de emissões (as chamadas NDCs), com expectativa de novos compromissos até setembro.
Desafios e expectativas para a COP30
Apesar dos avanços recentes, os desafios permanecem grandes. A dificuldade de consenso em temas como financiamento e compromisso com a eliminação de combustíveis fósseis gera atrasos nas decisões. A expectativa é que Bonn sirva para adiantar acordos e evitar impasses durante a COP30.
A participação da sociedade civil também deverá ganhar destaque, já que a COP30 acontecerá em um país democrático e com forte engajamento social. A presença de vozes diversas é vista como essencial para tornar a pauta climática mais próxima das necessidades reais da população.
Rumo a Belém: o que esperar
Com o Brasil na liderança das negociações e com uma agenda que privilegia justiça climática, adaptação e colaboração multilateral, Bonn é um momento decisivo. A conferência pavimenta o caminho para que a COP30 em Belém seja um marco na história das negociações climáticas — mais inclusiva, eficaz e centrada em soluções concretas para manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C.
Fonte: Agência Brasil


