Imagem: Frontiers
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Cientistas desenvolvem técnica para identificar marfim de elefante disfarçado como marfim de mamute

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Nova ferramenta usa análise de isótopos estáveis para combater o comércio ilegal e proteger elefantes ameaçados pela caça.

A comercialização de marfim de elefante é proibida em grande parte do mundo, mas uma brecha tem favorecido o tráfico ilegal: a venda de marfim de mamute, legalmente permitido por ser extraído de animais extintos encontrados no permafrost da Sibéria. A semelhança entre os dois materiais permite que traficantes disfarcem o marfim ilegal como se fosse proveniente de mamutes, dificultando a fiscalização.

Agora, cientistas da Universidade de Hong Kong desenvolveram uma alternativa promissora: uma técnica baseada na análise de isótopos estáveis, capaz de diferenciar, de forma rápida e de baixo custo, o marfim de elefante do marfim de mamute — mesmo em peças esculpidas e polidas.

Isótopos revelam a origem do marfim

A pesquisa, publicada na revista Frontiers in Ecology and Evolution, demonstra que é possível distinguir os dois tipos de marfim analisando as proporções de hidrogênio e oxigênio presentes no material.

“Os elementos da água ingerida pelos mamutes nas regiões de alta latitude deixaram assinaturas isotópicas distintas em comparação aos elefantes que vivem em áreas tropicais”, explica a bióloga Maria Santos, primeira autora do estudo.

Segundo os cientistas, a análise dessas assinaturas pode fornecer um método eficiente de triagem inicial, permitindo identificar rapidamente materiais suspeitos e reservar os testes mais complexos, como a datação por radiocarbono ou a análise genética, para os casos mais relevantes.

Um desafio global disfarçado de mamute

A venda de marfim de mamute é legal em muitos países e, por isso, tornou-se uma brecha explorada por contrabandistas de vida selvagem, que misturam produtos legais e ilegais para burlar fiscalizações.

“É comum que remessas ilegais de marfim sejam camufladas entre peças de marfim de mamute”, afirma o pesquisador Pavel Toropov, coautor do estudo. “Nosso objetivo foi criar uma ferramenta rápida, barata e confiável para apoiar agentes de fiscalização em campo.”

Hoje, os métodos mais precisos — como a análise molecular e a datação por carbono-14 — são caros e levam semanas, dificultando seu uso em grandes operações de triagem.

Testes revelam eficácia da nova abordagem

A equipe testou 79 amostras de marfim — 44 de elefante e 35 de mamute — oriundas de apreensões policiais e do comércio legal em Hong Kong e Xangai. Foram avaliadas as proporções isotópicas de cinco elementos: carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio e enxofre.

Os resultados mostraram que as diferenças mais consistentes entre os dois tipos de marfim estão nos isótopos de hidrogênio e oxigênio. Já os elementos carbono, nitrogênio e enxofre apresentaram sobreposição, tornando-se menos confiáveis como critérios de distinção.

Ferramenta promissora para combater o tráfico de marfim

Apesar de ainda não estar validado para uso judicial, o novo método pode ser uma ferramenta valiosa para uso prévio em grandes lotes de objetos. A triagem por isótopos pode sinalizar quais peças devem ser investigadas mais a fundo, otimizando tempo e recursos das autoridades.

“A expectativa é que esse protocolo seja usado para identificar rapidamente peças com alto risco de serem marfim de elefante, antes de investir em análises laboratoriais mais caras”, afirma Santos.

Com mais testes e refinamentos, a técnica poderá fechar uma das principais brechas usadas por traficantes e contribuir de forma eficaz para proteger populações de elefantes ameaçadas pela caça ilegal.

Fonte: www.frontiersin.org

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