Vista da Gruta do Janelão e a Perna da Bailarina ao fundo, no Cânion do Peruaçu - Foto: Ataliba Coelho
Vista da Gruta do Janelão e a Perna da Bailarina ao fundo, no Cânion do Peruaçu - Foto: Ataliba Coelho

Cânion do Peruaçu é reconhecido pela Unesco como Patrimônio Natural Mundial

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O Cânion do Peruaçu, situado no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (MG), agora integra a lista de Patrimônio Natural Mundial da Unesco. A consagração foi anunciada no último domingo (13/7), em Paris, durante a 47ª reunião do Comitê do Patrimônio Mundial.

O reconhecimento internacional foi concedido com base em critérios que destacam a beleza cênica, singularidade geológica e importância ecológica do sítio. O local se junta ao seleto grupo de nove patrimônios naturais brasileiros já reconhecidos pela Unesco.

Importância global, orgulho nacional

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a conquista representa um marco na valorização do patrimônio geológico, promovendo também o turismo sustentável e o fortalecimento da ciência. A ministra Marina Silva celebrou a decisão como fruto do esforço coletivo entre governo, academia, sociedade civil e o povo indígena Xakriabá — guardião ancestral da região.

“O Cânion do Peruaçu combina cavernas impressionantes, arte rupestre milenar, três biomas e uma biodiversidade riquíssima. É um patrimônio que representa tanto nossa história quanto nosso futuro”, afirmou a ministra.

O secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, que acompanhou o anúncio na França, ressaltou que o título consagra décadas de trabalho da comunidade espeleológica e ambientalista brasileira.

Um tesouro ecológico e arqueológico

Com 38 mil hectares de extensão, o Parque abriga ecossistemas do Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, além de 114 sítios arqueológicos com pinturas rupestres que remontam a até 12 mil anos. Destacam-se ainda mais de 950 espécies de fauna e mil espécies de flora, além da impressionante Gruta do Janelão, com galerias de até 100 metros de altura e a maior estalactite do mundo, conhecida como Perna da Bailarina.

Rita Mesquita, secretária nacional de Biodiversidade do MMA, reforça que o título é uma chance de conexão entre o povo brasileiro e sua herança natural:

“O reconhecimento internacional deve despertar orgulho e interesse em conhecer a diversidade e a história contidas em nossas paisagens.”

Potencial para turismo e desenvolvimento sustentável

A expectativa do governo e dos gestores ambientais é que o novo título estimule o turismo responsável e gere oportunidades em uma região marcada por desafios socioeconômicos. Bernardo Issa, coordenador técnico da candidatura, destaca que o reconhecimento cria caminhos para políticas públicas mais inclusivas e sustentáveis.

O processo de candidatura foi liderado pelo MMA, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE). A inclusão do Cânion na lista fortalece o Brasil como referência global na preservação de sítios naturais de valor universal.

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