Iniciativa busca proteger mais de 580 mil km² de biodiversidade marinha e promover o uso sustentável dos oceanos
No Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), o governo brasileiro apresentou à UNESCO a candidatura da Reserva da Biosfera Marinha Vitória-Trindade ao programa internacional “O Homem e a Biosfera” (MAB). Se aprovada, será a primeira reserva da biosfera marinha do país reconhecida pelo programa, marcando um avanço importante na proteção do Atlântico Sul.
Localizada ao largo da costa do Espírito Santo, a Cadeia Vitória-Trindade é uma formação geológica submarina que se estende desde a plataforma continental brasileira até o Arquipélago de Trindade e Martim Vaz. A área é considerada um corredor ecológico estratégico, por abrigar uma das maiores concentrações de espécies endêmicas e ameaçadas do Atlântico Sul.
Área de abrangência e importância ecológica
A proposta de reserva da biosfera abrange uma área de 580.987 km², inteiramente situada no mar territorial e na zona econômica exclusiva (ZEE) do Brasil. A região é reconhecida por:
- Alta biodiversidade marinha, com dezenas de espécies exclusivas
- Importância ecológica para migração e reprodução de peixes e cetáceos
- Potencial para o desenvolvimento de pesca sustentável e turismo ecológico
Além do valor ambiental, a proposta busca consolidar um modelo integrado de conservação e desenvolvimento, alinhado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), em especial o ODS 14 – Vida na Água.
O que é o programa “O Homem e a Biosfera”?
Criado em 1971, o programa MAB da UNESCO visa estabelecer uma rede global de áreas modelo para:
- Conservar a biodiversidade
- Promover o desenvolvimento sustentável
- Estimular a pesquisa científica, monitoramento ambiental e educação
O Brasil já possui sete reservas da biosfera, entre elas a Mata Atlântica, a maior do mundo em extensão. A inclusão da Cadeia Vitória-Trindade ampliará essa rede ao incluir, pela primeira vez, uma região marinha.
Articulação institucional e compromissos internacionais
A candidatura foi elaborada sob a liderança do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, e com apoio de órgãos de pesquisa, universidades e organizações da sociedade civil.
A proposta também fortalece o compromisso do Brasil com tratados e agendas globais:
- Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB)
- Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS)
- Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2021–2030)
Um passo estratégico para o oceano e o clima
A proteção da Cadeia Vitória-Trindade representa um passo significativo para a resiliência climática, a gestão sustentável dos oceanos e a valorização do conhecimento científico marinho no Brasil.
Ao propor a reserva à UNESCO, o país reforça seu papel como líder ambiental no cenário internacional, especialmente em um momento estratégico de preparação para a COP30, que ocorrerá em novembro de 2025 em Belém (PA).


