A trégua nos preços do petróleo durou pouco. Após uma queda de 12% na semana passada, os preços dos contratos futuros do Brent e do WTI voltaram a disparar, superando a barreira dos US$ 100. O gatilho foi a mais recente declaração de Donald Trump: a ameaça de um bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz, uma das veias jugulares do comércio de energia global.
A bravata ocorreu em meio a tentativas de negociação entre EUA e Irã no Paquistão, visando encerrar o conflito iniciado em fevereiro. A resposta da Guarda Revolucionária do Irã foi imediata, classificando qualquer aproximação militar como violação do cessar-fogo. Resultado: instabilidade máxima e dor no bolso do consumidor final.
O mercado em números
A volatilidade marcou a sessão desta segunda-feira (13/4):
- Brent (Junho): Subiu 4,36%, fechando em US$ 99,36, mas atingindo picos de US$ 102,06 durante a manhã.
- WTI (Maio): Avançou para US$ 99,08, superando os US$ 103 nas negociações matinais.
- Impacto na Europa: A União Europeia estima um aumento de US$ 25,7 bilhões em suas contas de energia desde o início da guerra.
A crise de custo de vida e o fator “Trump”
Enquanto o presidente estadunidense utiliza as redes sociais para postagens messiânicas geradas por IA, a realidade nas ruas é de austeridade. Nos EUA, o preço dos combustíveis atingiu o maior patamar desde a invasão da Ucrânia em 2022, forçando motoristas a reduzirem drasticamente o uso de veículos.
A OPEP já reduziu sua previsão de demanda para o segundo trimestre, prevendo que o alto custo irá frear o consumo global. Em contrapartida, petrolíferas em regiões fora do Golfo, como as do Canadá, são acusadas de ver o conflito como uma “grande oportunidade” para lucros extraordinários — uma narrativa que tentam evitar publicamente por razões de relações públicas.
A resposta climática: O fim dos fósseis como estratégia
Em meio ao caos, surge um movimento de resistência energética. Um estudo do IISD aponta que 50 países já planejam eliminar combustíveis fósseis de suas matrizes, não apenas por ecologia, mas por legitimidade nacional e segurança econômica.
“A transição está sendo moldada dentro dos sistemas políticos nacionais. Os países precisam se apropriar dessa mudança para que ela tenha apoio do eleitorado diante de choques externos como este”, afirma Bruno Toledo, especialista do Observatório do Clima.
No entanto, o financiamento para países pobres segue ameaçado. Sob a pressão da agenda anticlimática de Trump, planos de ação verde podem ser arquivados nas reuniões do FMI e do Banco Mundial que ocorrem esta semana, deixando as nações em desenvolvimento ainda mais vulneráveis à volatilidade do petróleo.
Painel do petróleo (Abril 2026):
- US$ 103,84: Pico do barril WTI na manhã de 13/04.
- 1/5: Fração do petróleo mundial que transita pelo Estreito de Ormuz.
- US$ 25,7 bi: Prejuízo acumulado da União Europeia com o choque de preços.
- 50 Nações: Países que já desenham planos para o fim da era fóssil.
Fonte: ClimaInfo / REUTERS


