Anel de bolhas criado por uma baleia jubarte chamada Thorn. Crédito: © Dan Knaub, The Video Company
Anel de bolhas criado por uma baleia jubarte chamada Thorn. Crédito: © Dan Knaub, The Video Company

Baleias jubarte produzem anéis de bolhas em interação com humanos — e podem estar tentando se comunicar

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Comportamento inédito observado por cientistas pode oferecer pistas sobre a inteligência não humana e inspirar novas formas de busca por vida fora da Terra

Durante interações curiosas com seres humanos, baleias jubarte foram flagradas produzindo anéis de bolhas com precisão e intencionalidade, em um comportamento que, além de inédito, pode estar associado à comunicação lúdica ou social com a nossa espécie. A descoberta foi documentada por uma equipe do Instituto SETI e da Universidade da Califórnia em Davis (UC Davis) e publicada recentemente na revista Marine Mammal Science.

Com 12 episódios analisados envolvendo 11 baleias e 39 anéis de bolhas, a pesquisa sugere que esses cetáceos estão usando esse recurso não apenas para caçar ou competir, como já era conhecido, mas também como forma de interação amigável com humanos, semelhante a um gesto de aproximação.

“A produção de bolhas em vórtices circulares pode ser uma forma lúdica ou mesmo uma tentativa de comunicação entre espécies”, aponta o pesquisador Fred Sharpe, coautor do estudo. “As jubartes vivem em sociedades complexas, são criativas e já demonstraram comportamentos de cooperação com outras espécies.”

A pesquisadora Jodi Frediani, coautora e fotógrafa de vida marinha, explica que o fenômeno foi registrado em diversas populações ao redor do mundo, sempre em contextos de interação voluntária com mergulhadores ou embarcações. “É como se elas estivessem, literalmente, nos enviando sinais”, comenta.

Imagem composta de pelo menos um anel de bolhas de cada episódio. Atribuições das fotos: (a) D. Knaub, (b) F. Nicklen, (c) D. Perrine, (d) W. Davis, (e) G. Flipse, (f) A. Henry, (g) M. Gaughan, (h) H. Romanchik, (i) D. Patton, (j) D. Perrine, (k) S. Istrup, (l) S. Hilbourne.

Ciência marinha e astrobiologia de mãos dadas

A pesquisa integra os esforços do projeto WhaleSETI, uma iniciativa que estuda sistemas de comunicação não humanos e não terrestres (no caso, aquáticos) como modelos para refinar a busca por inteligência extraterrestre. A lógica por trás do estudo é clara: se conseguimos entender padrões complexos de comunicação em espécies inteligentes da Terra, podemos aprimorar nossos filtros para identificar sinais alienígenas.

“Estamos acostumados a pensar que, se houver vida inteligente fora da Terra, ela buscará contato conosco da mesma forma que fazemos. Mas o comportamento das jubartes mostra que a curiosidade e a tentativa de comunicação podem surgir em formas muito diferentes da nossa”, ressalta Dr. Laurance Doyle, do Instituto SETI.

A equipe também desenvolve estudos anteriores com reprodução bioacústica interativa — uma espécie de “diálogo” com baleias jubarte — e conta com especialistas em biologia marinha, inteligência animal, fotografia subaquática, anatomia de cetáceos e uso de IA para análise de sinais não verbais.

Um universo de possibilidades ainda a explorar

O estudo ressalta o potencial desses animais como espécies-sentinelas, capazes de ampliar nosso entendimento sobre inteligência e consciência em outros sistemas biológicos. Os anéis de bolhas, portanto, podem ser muito mais do que brincadeira marinha — são um reflexo de um tipo de cognição sofisticada e, quem sabe, um convite silencioso para diálogo interespécies.

Fonte: Instituto SETI

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