Com a chegada de uma onda de frio polar avassaladora nos Estados Unidos e temperaturas que prometem despencar para os -30°C, um termo curioso voltou a viralizar nas redes sociais: as “árvores explosivas”. Mas, antes de imaginar uma floresta em chamas como em um filme de ação, é preciso entender o que a física realmente faz com a madeira sob frio extremo.
O alerta surgiu após meteorologistas preverem sensações térmicas de até -45°C nas Planícies do Norte e no Centro-Oeste americano. Segundo especialistas, nessas condições, o que ocorre não é uma detonação química, mas sim uma ruptura física impressionante.
O som de um tiro na floresta
As árvores não explodem em pedaços, mas podem rachar de forma súbita e violenta. O motivo é a seiva. Embora essa substância tenha propriedades que evitam o congelamento imediato, em temperaturas abaixo de -29°C, ela finalmente congela.
Como a água na seiva se expande ao virar gelo, ela cria uma pressão interna colossal dentro do tronco. Quando a casca não suporta mais a tensão, ela se rompe com um estalo seco e altíssimo. “As pessoas ouvem um som quase idêntico ao de um tiro de rifle vindo da árvore”, explica Bill McNee, especialista em saúde florestal de Wisconsin.
Fenômeno raro e enganoso
Embora rachaduras causadas pelo gelo sejam comuns em climas árticos, a destruição total de uma árvore (uma “explosão” real) é considerada extremamente rara. Na maioria das vezes, o fenômeno resulta apenas em fendas longitudinais no tronco, que podem se fechar quando o clima esquenta, deixando apenas uma cicatriz na madeira.
Verificadores de fatos classificam as postagens virais como “enganosas”, pois, embora o som pareça uma explosão, a árvore geralmente permanece de pé.
O culpado: O vórtice polar e as mudanças climáticas
Essa onda de frio extremo é causada pela expansão do Vórtice Polar, uma massa de ar gelado que normalmente circula o Polo Norte. Cientistas apontam que o aquecimento do Ártico, impulsionado pelas mudanças climáticas, está desestabilizando esses ventos e “empurrando” o ar polar para o sul com mais frequência.
O resultado são tempestades de inverno massivas que atingem mais de 150 milhões de pessoas, trazendo riscos reais de hipotermia e congelamento da pele em questão de minutos.


