Descobertas arqueológicas. Ilustração. / Crédito da foto: SHUTTERSTOCK
Descobertas arqueológicas. Ilustração. / Crédito da foto: SHUTTERSTOCK

Arqueologia no Peru: Murais de civilização ancestral alertam sobre crise climática após megasseca

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Novas escavações arqueológicas na costa central do Peru indicam que a antiga civilização Caral, anteriormente considerada extinta após uma seca extrema, na verdade, se reorganizou ao longo da costa do Pacífico. A arqueóloga peruana Ruth Shady liderou as escavações em Vichama e Peñico, que revelaram um fascinante relato de migração datado de aproximadamente 4.200 anos atrás.

Shady explica que uma seca severa forçou os habitantes da cidade interiorana de Caral a se deslocarem para esses assentamentos costeiros. Nos novos lares, eles passaram a depender da pesca e do cultivo de plantações no vale do rio Huaura, reproduzindo seu estilo arquitetônico.

O aviso da natureza nos murais de Vichama

Em Vichama, foram descobertos murais tridimensionais que Shady interpreta como um “aviso para as gerações futuras” sobre as ameaças climáticas. Os murais retratam figuras emaciadas, mulheres grávidas, dançarinos rituais, dois peixes grandes e uma figura com cabeça de sapo atingida por um raio.

Segundo a arqueóloga, o sapo representa a água, e o raio simboliza o retorno da chuva e da fertilidade. A imagem faz referência direta à megasseca de 4.200 anos que também impactou sociedades na Mesopotâmia e no Vale do Indo.

Continuidade cultural e adaptação

As descobertas em Peñico, datadas de 1800–1500 a.C., revelaram 18 estruturas monumentais dispostas em um traçado que reproduz o da capital original de Caral. O projeto indica um cuidadoso planejamento cívico, com restos de alimentos que incluíam peixes do Pacífico, algodão, milho e batata-doce.

A continuidade cultural é sublinhada pelos relevos de pututus — trombetas de concha ainda usadas em cerimônias andinas — que adornavam a praça central. A arqueóloga Tatiana Abad resumiu o significado da descoberta: “As evidências mostram que, diante de uma crise climática, a civilização não desapareceu, mas se adaptou e se deslocou”.

Fonte: JPost

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