Esta imagem do satélite GOES-16 da NOAA, de 14 de setembro de 2020, mostra cinco sistemas tropicais girando na bacia do Atlântico simultaneamente. Da esquerda para a direita: o furacão Sally no Golfo do México, o furacão Paulette a leste das Carolinas, os remanescentes da tempestade tropical René no Atlântico central e as tempestades tropicais Teddy e Vicky no Atlântico leste. Um total de 10 tempestades nomeadas se formaram em setembro de 2020 — o maior número registrado para qualquer mês. Crédito: NOAA
Esta imagem do satélite GOES-16 da NOAA, de 14 de setembro de 2020, mostra cinco sistemas tropicais girando na bacia do Atlântico simultaneamente. Da esquerda para a direita: o furacão Sally no Golfo do México, o furacão Paulette a leste das Carolinas, os remanescentes da tempestade tropical René no Atlântico central e as tempestades tropicais Teddy e Vicky no Atlântico leste. Um total de 10 tempestades nomeadas se formaram em setembro de 2020 — o maior número registrado para qualquer mês. Crédito: NOAA

Aquecimento global aumenta frequência de aglomerados de furacões no Atlântico Norte

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Eventos extremos de ciclones tropicais, mais conhecidos como furacões ou tufões, estão mudando de padrão com o aquecimento global. Um novo estudo publicado na Nature Climate Change revela que grupos de furacões — conhecidos como aglomerados de ciclones tropicais — estão se tornando mais frequentes no Atlântico Norte nas últimas décadas, tendência que deve se manter no futuro próximo.

Esses aglomerados ocorrem quando dois ou mais ciclones tropicais se formam quase simultaneamente na mesma bacia oceânica. Embora não sejam raros, representam um desafio adicional para comunidades costeiras, pois reduzem o tempo de recuperação entre um desastre e outro. O exemplo recente mais marcante foi em 2017, quando Harvey, Irma e Maria atingiram os EUA e o Caribe no intervalo de poucas semanas, deixando um rastro de destruição e dificultando a resposta humanitária.

Do Pacífico ao Atlântico: uma mudança de hotspot

A análise de registros históricos mostrou que, enquanto no Pacífico Noroeste a ocorrência de aglomerados diminuiu, no Atlântico Norte ela aumentou significativamente. Segundo o climatologista Dazhi Xi, da Universidade de Hong Kong (HKU), a equipe desenvolveu um modelo probabilístico para entender a tendência, considerando fatores como frequência, duração e sazonalidade das tempestades.

O modelo explicou parte das mudanças, mas falhou em prever anos com alta incidência de aglomerados, revelando que existem conexões físicas entre algumas tempestades, e não apenas coincidência estatística.

A climatologista Wen Zhou, da Universidade Fudan, afirma que o modelo será aprimorado para diferenciar eventos causados por mero acaso daqueles impulsionados por fatores atmosféricos específicos.

O papel das ondas atmosféricas e do padrão La Niña-like

Os pesquisadores identificaram que, em determinados anos, ondas em escala sinótica — grandes perturbações atmosféricas que funcionam como “trens” de instabilidade — aumentam a probabilidade de formação de ciclones agrupados.

Outro fator decisivo é um padrão de aquecimento global semelhante ao La Niña, caracterizado pelo aquecimento mais lento no Pacífico Leste em relação ao Oeste. Esse padrão não só altera a frequência de ciclones nas diferentes bacias oceânicas, mas também intensifica as ondas atmosféricas, deslocando o foco dos aglomerados do Pacífico para o Atlântico.

Riscos crescentes para países costeiros

A descoberta reforça a necessidade de estratégias de preparação mais robustas para lidar com impactos climáticos múltiplos e consecutivos. Países banhados pelo Atlântico — especialmente na América Central, Caribe e costa leste dos EUA — devem considerar em seus planos de gestão de risco a possibilidade de sofrer eventos extremos sucessivos com intervalos de poucos dias ou semanas.

O estudo também oferece uma metodologia replicável que pode ser aplicada para prever padrões semelhantes em outras partes do mundo, auxiliando na prevenção e resposta a desastres climáticos.

Fonte: Universidade Fudan

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