Piscinas de Salomão por volta de 1890.
( crédito da foto : DOMÍNIO PÚBLICO )
Piscinas de Salomão por volta de 1890. ( crédito da foto : DOMÍNIO PÚBLICO )

Antigo túnel de aqueduto em Jerusalém supera os romanos em extensão, revela estudo

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Pesquisador aponta que túnel hídrico de Wadi el Biyar é mais longo do que qualquer estrutura semelhante da Roma Antiga, desafiando suposições sobre a engenharia clássica.

Um novo estudo publicado na edição de junho de 2025 da revista científica Groundwater revelou que a antiga cidade de Jerusalém abrigava uma das mais impressionantes obras de engenharia hidráulica do mundo antigo. Segundo a pesquisa liderada por David Deming, da Universidade de Oklahoma, o túnel do aqueduto Wadi el Biyar, com 2,8 quilômetros de extensão, é mais longo do que qualquer túnel construído pelos engenheiros romanos conhecidos até hoje.

A descoberta coloca em perspectiva a sofisticação dos sistemas de abastecimento de água desenvolvidos na região, historicamente ofuscados pela fama das estruturas hidráulicas do Império Romano.

Engenharia hidráulica avançada em Jerusalém antiga

O aqueduto de Wadi el Biyar fazia parte de um complexo sistema de captação e distribuição de água que abastecia as famosas Piscinas de Salomão, localizadas nos arredores de Belém. A infraestrutura também incluía outros sistemas como os aquedutos de Arrub, e os canais de Nível Alto e Nível Baixo, responsáveis por transportar água das colinas de Hebron até Jerusalém.

O túnel em questão foi escavado dentro de um aquífero rochoso, o que, segundo Deming, permitia que ele atuasse como fonte complementar de água subterrânea. Poços verticais, escavados a cada 35 metros, serviam para ventilação, remoção de detritos e manutenção — um método semelhante ao utilizado em obras romanas e persas, como os qanats.

“O túnel de Wadi el Biyar foi projetado com notável precisão e durabilidade. É um testemunho das capacidades técnicas dos engenheiros da época”, escreve Deming no artigo.

Superando Roma em extensão

Para efeito de comparação, o maior túnel registrado nos aquedutos de Roma é o Anio Novus, com 2,25 km de extensão. O túnel de Jerusalém, portanto, ultrapassa os padrões romanos, algo que, até então, não havia sido completamente reconhecido pela historiografia clássica.

“Notavelmente, [Wadi el Biyar] é mais longo do que qualquer túnel no sistema de abastecimento de água da Roma Antiga”, afirma Deming, citando estudos arqueológicos anteriores, como os de Mazar.

Origem e contexto histórico

Com base em indícios arquitetônicos e fontes históricas como Flávio Josefo, o pesquisador sugere que a construção do aqueduto tenha ocorrido durante o reinado de Herodes, o Grande (c. 72–4 a.C.), período marcado por grandes obras públicas e urbanas na Judéia.

Além da função vital de abastecimento, os aquedutos tinham também valor estratégico, permitindo que Jerusalém resistisse a cercos prolongados e sustentasse populações ampliadas durante festivais religiosos, como a Páscoa judaica, quando o número de habitantes temporários crescia exponencialmente.

Um feito comparável ao da Roma Antiga

O estudo reforça que a sobrevivência e o crescimento de Jerusalém só foram possíveis graças à existência de um sistema hídrico eficiente e resiliente. As descobertas elevam o status da engenharia local a patamares até então atribuídos apenas à Roma Imperial, cuja fama na construção de aquedutos se tornou um dos símbolos do seu poderio tecnológico.

Fonte: JPost

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