Daniel Beltrá/Greenpeace
Daniel Beltrá/Greenpeace

Análise de 10 anos: Acordo de Paris pode poupar o planeta de 57 dias de calor extremo por ano

Compartilhe:

O Acordo de Paris completa dez anos em dezembro com um balanço positivo: uma análise do Climate Center e do World Weather Attribution (WWA) indica que o mundo, que caminhava para um aquecimento de 4ºC até o fim deste século em 2015, agora tem a projeção reduzida para 2,6ºC.

Essa redução no aquecimento projetado pode evitar, em média, 57 dias de calor intenso por ano no planeta. O calor intenso é definido como a temperatura acima da registrada em 90% dos dias entre 1991 e 2020. No entanto, o estudo alerta que os países precisam aumentar suas ambições para alcançar o objetivo inicial do tratado: limitar o aquecimento a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais.

O impacto de cada fração de grau

O aumento da temperatura global, que subiu de 1ºC em 2015 para 1,3ºC em 2024, provocou um aumento médio de 11 dias de calor intenso no mundo. Em algumas regiões, esse impacto foi ainda mais severo:

  • As ondas de calor na Amazônia se tornaram 10 vezes mais prováveis , causando a seca recorde de 2023, que resultou na morte de centenas de botos e criou um ambiente propício à propagação de incêndios florestais.
  • No México e no sudoeste dos Estados Unidos, a temperatura recorde e a seca em 2024 causaram a morte de mais de 125 pessoas.
  • No sudeste da Austrália, o recorde de temperatura em 2019 levou a incêndios catastróficos, com a morte de 100 milhões de vertebrados e mais de 400 mortes por inalação de fumaça.

Friederike Otto, professora de Ciência do Clima do Imperial College, enfatiza que “Cada fração de grau de aquecimento, seja 1,4 ºC, 1,5ºC ou 1,7ºC, significará a diferença entre segurança e sofrimento para milhões de pessoas”.

Ações necessárias para um planeta mais seguro

O relatório destaca que cerca de metade dos países do mundo já possuem algum tipo de sistema de alarme contra calor extremo, e pelo menos 47 têm planos de ação em vigor. Esses mecanismos são essenciais para reduzir os impactos de um planeta em aquecimento.

Além disso, para fortalecer a resiliência urbana e a saúde pública, é necessário aumentar as áreas sombreadas e o número de árvores nos centros urbanos, bem como fortalecer os sistemas de saúde.

“O Acordo de Paris é uma estrutura poderosa e juridicamente vinculativa que pode nos ajudar a evitar os impactos mais graves das mudanças climáticas,” afirma Otto. No entanto, ela completa que é imperativo que os países façam mais para abandonar o petróleo, o gás e o carvão.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *