Pesquisadores desenvolveram protótipos de bandejas com as principais qualidades do poliestireno expandido, mas com a vantagem ecológica de serem biodegradáveis / Foto: Freepik
Pesquisadores desenvolveram protótipos de bandejas com as principais qualidades do poliestireno expandido, mas com a vantagem ecológica de serem biodegradáveis / Foto: Freepik

Amido e cúrcuma: a dupla da ciência que promete substituir o isopor

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Em um avanço significativo para o combate à poluição por plásticos, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma solução inovadora: bandejas 100% biodegradáveis feitas de amido e resíduo de cúrcuma. A invenção surge como uma alternativa promissora ao isopor, ou poliestireno expandido (EPS), um material amplamente utilizado em embalagens que, por ser um derivado do petróleo, leva séculos para se decompor, gerando microplásticos que contaminam ecossistemas inteiros e representam um risco crescente à saúde humana e à fauna marinha.

A pesquisa, conduzida no Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, focou em criar uma embalagem com as mesmas qualidades do isopor — leveza, baixo custo, proteção e retenção de temperatura — mas sem seus impactos ambientais negativos. O resultado é um produto que se decompõe em menos de um mês, um marco na busca por materiais mais sustentáveis para o mercado.

Bandeja à base de amido e cúrcuma / Foto: Guilherme José Aguilar

Cúrcuma: o ingrediente-chave para a sustentabilidade

A fórmula desenvolvida pelos pesquisadores tem no amido de mandioca a base biodegradável. No entanto, o elemento que fez a grande diferença foi o resíduo da extração de pigmento da cúrcuma, um subproduto vegetal comum na culinária. Segundo o pesquisador Guilherme José Aguilar, a adição da cúrcuma melhora a consistência do material, otimizando sua resistência à água e o isolamento térmico, sem causar danos ao meio ambiente.

Em testes comparativos, os protótipos se mostraram ecologicamente superiores ao isopor. “As bandejas de amido com cúrcuma são obtidas de fontes renováveis, são totalmente biodegradáveis e se decompõem rapidamente no ambiente”, explica Aguilar. Ele contrasta essa eficiência com o isopor, que se fragmenta em microplásticos, persistindo por séculos e ameaçando a biodiversidade e as cadeias alimentares.

Comparação entre o resíduo de cúrcuma (à esquerda) e a cúrcuma em pó (à direita) / Foto: Guilherme José Aguilar

O estudo avaliou quatro proporções de amido/cúrcuma, 100:0 (bandeja controle, sem resíduo), 90:10, 80:20, e 70:30 / Reprodução do artigo

Aprovação para alimentos e alto potencial comercial

Reconstrução em 3D de uma amostra de bandeja com resíduo de cúrcuma, usando tomografia de raios X / Foto: Reprodução do artigo

O estudo analisou diferentes proporções de amido e cúrcuma, e a versão com 90% de amido e 10% de resíduo de cúrcuma foi a que apresentou o melhor equilíbrio entre resistência mecânica, resistência à água e velocidade de degradação. As bandejas mostraram-se ideais para embalar alimentos perecíveis, como frutas, legumes e vegetais, ou para uso em fast-foods que não exijam altas temperaturas. O material se mostrou resistente a temperaturas de até 100°C, mas não é recomendado para fornos.

O ponto forte da pesquisa foi a avaliação da biodegradabilidade. As bandejas, quando enterradas em solo rico em matéria orgânica, se decompuseram completamente em um período de 28 a 31 dias. A versão feita apenas com amido levou apenas 14 dias para desaparecer. Em contrapartida, a bandeja de isopor permaneceu inalterada, reforçando a importância da alternativa desenvolvida pela USP.

Os pesquisadores veem um forte potencial comercial para o produto, especialmente em um mercado cada vez mais focado em soluções sustentáveis. No entanto, o próximo passo inclui testes em escala industrial, uma análise de viabilidade econômica e a avaliação do contato direto com alimentos reais para garantir a segurança e funcionalidade.

Fontes:

Pesquisa publicada no Journal of Cleaner Production
Fonte da matéria: https://jornal.usp.br/

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