Enquanto o mundo se preocupa com o aumento das temperaturas, a Islândia está olhando para o oceano com um temor diferente: o congelamento. O governo islandês oficializou o possível colapso da AMOC (Circulação Meridional do Atlântico) como um risco de segurança nacional. O sistema, que funciona como o “aquecimento central” da Terra, mostra sinais de instabilidade que podem mudar drasticamente o clima da Europa e desestabilizar a agricultura global ainda este século.
O que é a AMOC e por que ela pode “quebrar”?
A AMOC é uma gigantesca esteira transportadora oceânica que empurra águas quentes dos trópicos para o Norte. Lá, a água esfria, torna-se mais densa (salgada) e afunda, retornando pelo fundo do oceano.
- O gatilho: O derretimento acelerado da Groenlândia está inundando o Atlântico Norte com água doce.
- O problema: A água doce é menos densa e não afunda. Isso interrompe o ciclo, “desligando” a esteira e impedindo que o calor chegue ao norte.
Consequências: O paradoxo do gelo
Se a AMOC parar, o planeta continuará aquecendo na média, mas a Europa enfrentará um resfriamento abrupto e catastrófico:
- Islândia sob zero: O país poderia registrar invernos de -45°C e ver a formação de gelo marinho ao redor da ilha, algo inédito na história humana da região.
- Clima canadense na Europa: Cidades como Reykjavik poderiam passar a ter o clima de regiões quase inabitáveis do norte do Canadá.
- Caos na Amazônia e Ásia: O colapso alteraria o regime de chuvas na Amazônia e as monções na Ásia, ameaçando a segurança alimentar de bilhões de pessoas.
Ciência em alerta: O “ponto de não retorno”
Até 2021, o IPCC considerava o colapso improvável antes de 2100. No entanto, estudos de 2024 e 2025 mostram que o risco foi subestimado. Oceanógrafos renomados, como Stefan Rahmstorf, estimam que há até 25% de chance de interrupção mesmo que as metas do Acordo de Paris sejam cumpridas.
O maior temor dos cientistas é que, quando houver prova visual definitiva do colapso, já terá sido ultrapassado o ponto de inflexão onde o processo se torna irreversível.
Preparação e geoengenharia
A Islândia planeja integrar o risco da AMOC em seu planejamento estratégico até 2028. Entre as soluções debatidas — e polêmicas — estão técnicas de geoengenharia para tentar estabilizar a temperatura global artificialmente, uma proposta que divide a comunidade científica devido aos seus riscos desconhecidos.




