Pedestres se protegem do sol na região central do Rio de Janeiro durante onda de calor. — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Pedestres se protegem do sol na região central do Rio de Janeiro durante onda de calor. — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Alerta global: OMM preve El Niño “potencialmente forte” com impactos críticos nos próximos meses

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Agência da ONU confirma que aquecimento subsuperficial do Pacífico já supera os 6°C acima da média; autoridades fazem apelo urgente por planos de contingência contra secas e enchentes.

O monitoramento do clima global entrou em estágio de atenção máxima. A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da ONU, emitiu um comunicado oficial alertando para o desenvolvimento acelerado de um episódio de El Niño “potencialmente forte” nos próximos meses. O fenômeno deve empurrar as temperaturas globais para patamares recordes e intensificar de forma severa os eventos climáticos extremos em terra e nos oceanos.

De acordo com os cientistas da entidade, o aquecimento acentuado das águas superficiais e subsuperficiais do Oceano Pacífico tropical já está consolidado. Os modelos preditivos apontam que as condições de El Niño devem persistir ativas, no mínimo, até novembro deste ano, com reflexos imediatos de calor acima da média histórica global entre os meses de junho e agosto.

Imagem do C3S mostra anomalia de temperatura dos oceanos em abril. Mancha vermelha na costa oeste dos EUA e México teve temperaturas recordes para o mês, enquanto Pacífico ‘dá sinais’ de El Niño. — Foto: C3S/Copernicus

O motor do fenômeno: Calor acumulado no oceano

O que mais preocupa a comunidade científica neste início de ciclo é a energia acumulada nas profundezas do oceano. A OMM informou que detectou temperaturas subsuperficiais excepcionalmente elevadas no Pacífico tropical, superando em mais de 6°C a média histórica em pontos de monitoramento. Esse bolsão de água quente está subindo e alimentando o aquecimento da superfície, funcionando como um combustível de alta potência para o fenômeno.

“Precisamos nos preparar para um evento de El Niño potencialmente forte, que agravará secas e chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor tanto em terra quanto nos oceanos”, alertou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

O mapa dos impactos geográficos globais

O El Niño atua desregulando a circulação de ventos e a distribuição de umidade pelo globo. Embora cada episódio guarde suas peculiaridades, a OMM destaca as frentes geográficas clássicas que entram em zona de risco:

  • Excesso de chuvas (Enchentes): Elevação drástica da precipitação no sul da América do Sul (incluindo o Sul do Brasil) e em porções da África Oriental.
  • Déficit de chuvas (Secas crônicas): Estiagens severas na Austrália, Indonésia, América Central e em regiões do sul da Ásia.
  • Atividade ciclônica: Aumento estatístico no risco e na intensidade de furacões nas porções central e oriental do Oceano Pacífico.

Além do clima: Riscos para a saúde e alimentação

A ONU adverte que as consequências de um El Niño forte extrapolam a meteorologia e batem diretamente na estabilidade social e econômica das nações, desencadeando um efeito cascata em três setores críticos:

  1. Saúde pública: O calor extremo e a alteração dos regimes de chuva favorecem a reprodução rápida e a disseminação de doenças transmitidas por vetores, como mosquitos (dengue, zika, malária) e carrapatos.
  2. Segurança alimentar: Quebras de safra agrícolas decorrentes de secas prolongadas ou excesso de chuvas no período de colheita ameaçam o abastecimento e inflamam os preços dos alimentos.
  3. Segurança hídrica: Reservatórios urbanos e hidroelétricos em áreas de seca serão levados ao limite operacional.

“O mundo deve tratar isso como o alerta climático urgente que é. As condições de El Niño vão adicionar combustível ao fogo de um planeta em aquecimento”, reforçou o secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterando a necessidade de acelerar a transição energética e os investimentos em infraestruturas urbanas resilientes.

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