Um estudo alarmante da Universidade de Oxford, publicado na prestigiada revista Nature Sustainability, revela que metade da humanidade estará exposta a temperaturas perigosas em pouco menos de 25 anos. Se o aquecimento global ultrapassar o limite de 2°C acima dos níveis pré-industriais, cerca de 3,8 bilhões de pessoas viverão sob condições de calor extremo.
O Brasil aparece no topo da lista dos países que sofrerão os impactos mais severos, ao lado de nações como Nigéria, Indonésia e Índia.
A “corrida” pelo ar-condicionado
O relatório destaca um despreparo global para lidar com o estresse térmico. Para muitos moradores das regiões afetadas, a sobrevivência dependerá de uma verdadeira “corrida” pela instalação de aparelhos de ar-condicionado já nos próximos cinco anos.
No entanto, os pesquisadores alertam que essa solução paliativa pode sobrecarregar redes elétricas e aumentar a demanda por energia, criando um ciclo vicioso se a matriz energética não for limpa.
Impacto em países frios
A pesquisa traz um dado curioso: países tradicionalmente gelados, como Finlândia, Rússia e Canadá, enfrentarão as mudanças relativas mais drásticas. Como suas cidades e residências foram projetadas para reter calor e resistir ao inverno, um aumento de poucos graus pode tornar as estruturas “estufas humanas”, resultando em impactos severos na saúde pública.
Um chamado à ação
Radhika Khosla, uma das líderes do estudo em Oxford, reforça que ultrapassar o limite de 1,5°C terá consequências sem precedentes em setores vitais, como:
- Agricultura: Perda de safras e insegurança alimentar.
- Saúde: Aumento de doenças cardiovasculares e mortes por insolação.
- Economia: Queda na produtividade e migrações em massa.
“O único caminho é promover o desenvolvimento sustentável com emissões líquidas zero para reverter essa tendência de dias cada vez mais quentes”, conclui Khosla.


