Novas projeções indicam 65% de chance de o fenômeno atingir intensidade extrema a partir de outubro de 2026, ameaçando quebrar recordes históricos de temperatura e castigar a produção de alimentos.
O planeta está prestes a entrar em uma rota de colisão com um dos eventos climáticos mais severos da história moderna. De acordo com o mais recente relatório do Centro de Previsão Climática da NOAA, publicado em 14 de maio de 2026, as chances de enfrentarmos um “Super El Niño” (classificado oficialmente como um evento muito forte) dispararam, tornando-se o cenário mais provável para o período entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027.
O El Niño — fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico tropical — dita os padrões de chuva, seca e temperatura em todo o globo. A transição da fase neutra para o El Niño está ocorrendo de forma acelerada, com 82% de probabilidade de consolidação total entre agora e julho. Trata-se de um salto de 20 pontos percentuais em termos de certeza científica na comparação com os modelos de abril.
O fantasma de 1877: O tamanho da ameaça
Para os cientistas atmosféricos, a velocidade e a intensidade desse aquecimento traçam um paralelo assustador com o passado. “A confiança está claramente aumentando em relação ao que pode ser o maior evento El Niño desde a década de 1870”, alertou Paul Roundy, professor de ciências atmosféricas da Universidade de Albany.
Se as previsões se confirmarem, o fenômeno deste ano poderá rivalizar com o catastrófico El Niño de 1877, um dos mais devastadores já registrados, que desencadeou uma seca e fome global severa, resultando na perda de mais de 50 milhões de vidas na época.
Especialistas alertam, no entanto, que o ponto de partida atual é muito mais perigoso do que o do século XIX:
- Oceanos mais 1uentes: A atmosfera e os oceanos globais já estão substancialmente mais quentes devido às mudanças climáticas acumuladas.
- Efeito potencializado: Como a base térmica do planeta está elevada, os extremos associados ao El Niño — como supertempestades e secas severas — tendem a ser muito mais destrutivos do que no passado.
O impacto humanitário e econômico em jogo
Um El Niño “muito forte” é definido quando a temperatura da superfície do mar no Pacífico Central sobe 2°C ou mais acima da média histórica. Esse aquecimento aparentemente pequeno é suficiente para desregular cadeias produtivas inteiras e colapsar a economia de nações vulneráveis.
Os principais gargalos de risco:
- Segurança alimentar e alta de preços: O fenômeno afeta diretamente a produtividade agrícola e a pesca global devido às secas severas e ao superaquecimento das correntes marinhas. Com a quebra de safras, a tendência é uma inflação global de alimentos, castigando as populações que já vivem na linha da pobreza.
- Incêndios florestais e furacões: Regiões como a Amazônia e a Austrália enfrentam riscos severos de secas prolongadas e grandes incêndios, enquanto outras partes do mundo sofrem com tempestades e inundações históricas.
- Prejuízos bilionários: Como base de comparação, o El Niño de 1997-1998 drenou entre 32 e 96 bilhões de dólares da economia global. O evento de 2026/2027 pode superar essa marca com facilidade.
2027 pode ser o ano mais quente da história
O mundo acabou de enfrentar o El Niño de 2023-2024, que foi o grande motor por trás dos recordes históricos de calor de 2024. Cientistas da Climate Brief alertam que, se a nova fase “Super” se consolidar no final deste ano, o ano de 2027 tem tudo para quebrar novamente o teto das temperaturas globais, empurrando a humanidade para um território climático completamente desconhecido.
A comunidade internacional de ajuda humanitária acompanha os dados com extrema preocupação, especialmente pelo fato de o choque climático coincidir com crises geopolíticas severas e inflação estrutural, reduzindo a capacidade de resposta dos governos.
A NOAA deve liberar a próxima atualização crucial dos modelos de previsão no dia 11 de junho, momento em que saberemos com precisão cirúrgica a velocidade com que essa gigantesca engrenagem térmica avançará sobre os ecossistemas do planeta.
Fonte: Live Science




