Um novo estudo da UC San Diego revela que a poluição por plásticos derivados de combustíveis fósseis pode estar promovendo condições tóxicas na água, ao remover animais que mantêm os níveis de água seguros. Os plásticos de base biológica tiveram um impacto muito menor. Crédito: Scott Morton, Laboratório Shurin, UC San Diego
Um novo estudo da UC San Diego revela que a poluição por plásticos derivados de combustíveis fósseis pode estar promovendo condições tóxicas na água, ao remover animais que mantêm os níveis de água seguros. Os plásticos de base biológica tiveram um impacto muito menor. Crédito: Scott Morton, Laboratório Shurin, UC San Diego

Além dos nutrientes: Estudo revela que poluição por plástico é gatilho para proliferação de algas tóxicas

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As proliferações de algas nocivas (HABs), conhecidas popularmente como “marés vermelhas”, são um pesadelo para a saúde pública e a biodiversidade marinha. Recentemente, o sul da Austrália enfrentou um evento tóxico que durou nove meses, estendendo-se por milhares de quilômetros e causando mortes em massa de espécies marinhas.

Embora o escoamento de fertilizantes agrícolas tenha sido historicamente apontado como o principal culpado, pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (UC San Diego) descobriram um novo agravante: a poluição por plásticos derivados de petróleo.

Os estudantes de graduação voluntários Sophia Albee e Grant Gustin usam uma sonda de água para coletar dados sobre a qualidade da água. Crédito: Scott Morton, Laboratório Shurin, UC San Diego.

O desequilíbrio de “cima para baixo”

Diferente dos nutrientes, que alimentam as algas de “baixo para cima”, o plástico atua de forma inversa, eliminando quem deveria controlar o crescimento dessas plantas.

  • Dizimação do zooplâncton: Em experimentos realizados em 30 ecossistemas de lagoas, os cientistas observaram que microplásticos de combustíveis fósseis causam uma queda abrupta na população de zooplâncton.
  • Fim dos predadores naturais: O zooplâncton é composto por minúsculos animais que se alimentam de algas. Sem esses predadores, as algas crescem de forma descontrolada, consumindo o oxigênio da água e criando “zonas mortas”.
  • Alteração bacteriana: O estudo também documentou o surgimento de comunidades distintas de bactérias crescendo na presença do plástico, o que desestabiliza ainda mais a função microbiana do ecossistema.

Plásticos biodegradáveis: Uma alternativa segura?

O estudo comparou o poliuretano convencional com plásticos biodegradáveis de base biológica desenvolvidos pela empresa Algenesis. Os resultados, publicados na revista Communications Sustainability, trouxeram uma nota de esperança:

  • Menor impacto: Os tanques com plásticos de base biológica apresentaram um impacto significativamente menor sobre o zooplâncton e o equilíbrio do ecossistema.
  • Decomposição ativa: Pesquisadores já testam o chamado “plástico vivo”, preenchido com esporos bacterianos que aceleram a decomposição do material ao fim de seu ciclo de vida.

O alerta para a saúde humana

A onipresença da poluição plástica — já detectada no sangue humano, pulmões e cérebro — agora se mostra como um fator de desequilíbrio ambiental que pode forçar o fechamento de praias e lagos devido à toxicidade das algas. A transição para uma economia baseada em materiais biodegradáveis surge não apenas como uma escolha ecológica, mas como uma necessidade para a manutenção da vida aquática e segurança hídrica.

Fonte: Universidade da Califórnia – San Diego

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