As proliferações de algas nocivas (HABs), conhecidas popularmente como “marés vermelhas”, são um pesadelo para a saúde pública e a biodiversidade marinha. Recentemente, o sul da Austrália enfrentou um evento tóxico que durou nove meses, estendendo-se por milhares de quilômetros e causando mortes em massa de espécies marinhas.
Embora o escoamento de fertilizantes agrícolas tenha sido historicamente apontado como o principal culpado, pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (UC San Diego) descobriram um novo agravante: a poluição por plásticos derivados de petróleo.

O desequilíbrio de “cima para baixo”
Diferente dos nutrientes, que alimentam as algas de “baixo para cima”, o plástico atua de forma inversa, eliminando quem deveria controlar o crescimento dessas plantas.
- Dizimação do zooplâncton: Em experimentos realizados em 30 ecossistemas de lagoas, os cientistas observaram que microplásticos de combustíveis fósseis causam uma queda abrupta na população de zooplâncton.
- Fim dos predadores naturais: O zooplâncton é composto por minúsculos animais que se alimentam de algas. Sem esses predadores, as algas crescem de forma descontrolada, consumindo o oxigênio da água e criando “zonas mortas”.
- Alteração bacteriana: O estudo também documentou o surgimento de comunidades distintas de bactérias crescendo na presença do plástico, o que desestabiliza ainda mais a função microbiana do ecossistema.
Plásticos biodegradáveis: Uma alternativa segura?
O estudo comparou o poliuretano convencional com plásticos biodegradáveis de base biológica desenvolvidos pela empresa Algenesis. Os resultados, publicados na revista Communications Sustainability, trouxeram uma nota de esperança:
- Menor impacto: Os tanques com plásticos de base biológica apresentaram um impacto significativamente menor sobre o zooplâncton e o equilíbrio do ecossistema.
- Decomposição ativa: Pesquisadores já testam o chamado “plástico vivo”, preenchido com esporos bacterianos que aceleram a decomposição do material ao fim de seu ciclo de vida.
O alerta para a saúde humana
A onipresença da poluição plástica — já detectada no sangue humano, pulmões e cérebro — agora se mostra como um fator de desequilíbrio ambiental que pode forçar o fechamento de praias e lagos devido à toxicidade das algas. A transição para uma economia baseada em materiais biodegradáveis surge não apenas como uma escolha ecológica, mas como uma necessidade para a manutenção da vida aquática e segurança hídrica.


