A poluição plástica está prestes a se tornar uma das maiores ameaças à saúde pública global nas próximas décadas. Um estudo inédito, publicado na revista The Lancet Planetary Health, revela que os impactos negativos desse material sobre o corpo humano podem dobrar até 2040 se a trajetória atual de produção e descarte for mantida.
Pela primeira vez, cientistas de instituições de elite, como a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, utilizaram a métrica DALYs (anos de vida ajustados por incapacidade) para medir quantos anos de vida saudável a humanidade está perdendo devido ao ciclo completo do plástico.
Um veneno em todas as etapas
O estudo rompe com a ideia de que o problema reside apenas no descarte. Os danos ocorrem desde a extração do petróleo até o fim da vida útil do produto:
- Aquecimento Global (40% dos danos): As emissões de gases de efeito estufa em toda a cadeia aceleram a crise climática, gerando mortes e doenças indiretas.
- Poluição do Ar (32% dos danos): Processos industriais de fabricação liberam poluentes que causam doenças respiratórias crônicas.
- Substâncias Tóxicas (27% dos danos): A liberação de químicos no solo e na água está diretamente ligada ao aumento de casos de câncer e desequilíbrios hormonais.
Reciclagem não é a solução definitiva
Um dado surpreendente da pesquisa é que medidas isoladas, como aumentar a coleta ou a reciclagem, têm efeito limitado na saúde global. Segundo os autores, o verdadeiro vilão é a produção primária.
Para Megan Deeney, da LSHTM, os governos precisam exigir transparência total da indústria sobre a composição química dos plásticos. “Ações muito mais ambiciosas e uma transformação estrutural na cadeia produtiva são urgentes”, afirma.

Oportunidade de reversão
Apesar do cenário alarmante, os cientistas apontam um caminho: a combinação de redução drástica na produção e gestão eficiente de resíduos poderia mitigar os danos à saúde em até 43%. No entanto, o estudo admite que o impacto real pode ser ainda maior, já que os efeitos de microplásticos e nanoplásticos ainda não foram totalmente contabilizados devido à falta de dados laboratoriais de longo prazo.


