Um jovem enfrenta a seca na região de Satkhira, em Bangladesh, enquanto caminha até um reservatório para coletar água. / © OMM/Muhammad Amdad Hossain
Um jovem enfrenta a seca na região de Satkhira, em Bangladesh, enquanto caminha até um reservatório para coletar água. / © OMM/Muhammad Amdad Hossain

Agência da ONU alerta que próximos cinco anos terão calor recorde sem precedentes

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Relatório global indica 91% de probabilidade de o planeta romper temporariamente o teto de 1,5°C do Acordo de Paris entre 2026 e 2030, impulsionado pela aceleração climática e por um novo El Niño.

O planeta está prestes a consolidar um novo e perigoso patamar térmico. Um relatório de alta precisão produzido pelo Met Office do Reino Unido e chancelado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM/ONU) alerta que as temperaturas globais nos próximos cinco anos permanecerão em níveis recordes ou muito próximos a eles. A aceleração climática contínua em terra e no mar está encurtando as janelas de recuperação dos ecossistemas.

De acordo com os modelos probabilísticos apresentados pela agência para o período entre 2026 e 2030, os riscos de eventos climáticos extremos, insegurança alimentar e deslocamentos forçados de populações urbanas e ribeirinhas saltaram para níveis críticos.

Os números do aquecimento: O alerta em porcentagens

Os climatologistas cruzaram dados de centros meteorológicos globais e mapearam um cenário de certezas científicas alarmantes para o curto prazo:

  • 91% de chance de romper os 1,5°C: É a probabilidade de que as temperaturas médias globais ultrapassem temporariamente esse parâmetro fundamental do Acordo de Paris em pelo menos um dos próximos cinco anos.
  • 86% de chance de um novo ano recorde: Há quase certeza de que pelo menos um ano deste quinquênio vai superar 2024 como o ano mais quente já registrado na história da humanidade.
  • 75% de probabilidade crônica: O relatório aponta que existe três quartos de chance de que o aquecimento médio acumulado ao longo de todo o período de cinco anos (2026-2030) fique acima de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais.

Embora a quebra temporária desse teto não signifique o fracasso definitivo do Acordo de Paris — já que o tratado internacional se refere ao aquecimento sustentado ao longo de décadas —, a frequência dessas violações anuais expõe a velocidade alarmante do aquecimento do planeta. As projeções apontam que a variação térmica anual do período ficará entre 1,3°C e 1,9°C acima da média de 1850-1900.

O motor de 2027 e o alarme no ártico

O fator cronológico do superaquecimento tem um culpado principal no horizonte. “Há previsão de um El Niño para o final de 2026, o que aumenta drasticamente as chances de o ano seguinte, 2027, ser o próximo ano recorde de calor na Terra”, explicou Leon Hermanson, autor principal do estudo.

Enquanto o mundo sente o impacto de forma distribuída, o topo do planeta está literalmente derretendo. O Ártico continua a aquecer mais de três vezes e meia mais rápido do que o resto do globo. Nos próximos cinco invernos do hemisfério norte, as temperaturas na região polar vão registrar uma média de 2,8°C acima dos níveis históricos recentes (1991-2020).

Esse colapso térmico vai acelerar o declínio do gelo marinho nos mares de Barents, Bering e Okhotsk. O grande perigo é o efeito de retroalimentação: sem o gelo para refletir a luz solar (efeito albedo), o oceano escuro absorve mais calor, desregulando o clima e os meios de subsistência em escala global.

O derretimento das calotas polares do Ártico, como as da Groenlândia (na foto), está se acelerando com o aumento das temperaturas globais. / © WMO/Karolin Eichier

A nova configuração das chuvas: Alerta para a Amazônia

O aquecimento da atmosfera está alterando diretamente o mapa da precipitação global, desenhando um cenário de extremos hidrológicos entre 2026 e 2030:

  • Precipitação acima da média (Risco de inundações): Espera-se um volume de chuvas significativamente maior em partes da região do Sahel (na África), no norte da Europa, no Alasca e na Sibéria, especialmente durante os invernos de latitudes mais altas do norte.
  • Precipitação abaixo da média (Risco de secas severas): Condições climáticas muito mais secas e prolongadas são previstas para toda a região amazônica e para diversas partes das regiões subtropicais do planeta.

Essas previsões detalhadas servem como um guia estratégico de sobrevivência. O objetivo da OMM ao antecipar os dados é fornecer inteligência climática para que governos, secretarias de planejamento urbano e agências de defesa civil consigam estruturar planos de contingência contra desastres e mitigar riscos que, definitivamente, deixaram de ser projeções para o futuro e se tornaram a realidade do presente.

Fonte: ONU News

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