Um novo relatório da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) revela que enfrentar a crise climática com políticas ambiciosas pode aumentar o PIB global e gerar ganhos econômicos significativos. A pesquisa contraria a visão de que a transição para emissões líquidas zero causaria prejuízos econômicos.
Segundo a análise, se as emissões forem reduzidas conforme as metas do Acordo de Paris, o crescimento econômico global poderá ter um ganho líquido de 0,23% até 2040, com expectativa de aceleração nos anos seguintes.
Risco da inação climática: até um terço do PIB mundial pode desaparecer
O relatório alerta que não agir contra as mudanças climáticas pode custar caro: até um terço do Produto Interno Bruto (PIB) mundial poderá ser perdido até 2100. Na Europa, por exemplo, as perdas podem chegar a 2,3% do PIB até meados do século, o que representa, segundo a ONU, um risco real de “recessão permanente”, com retração econômica contínua, aumento do desemprego e falência de empresas.
“Tempestades, secas e inundações estão impactando severamente a produção agrícola, a infraestrutura e os meios de subsistência em todo o continente”, afirmou Simon Stiell, secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, durante discurso em Berlim.
Investir na ação climática traz retorno econômico e social
A adoção de políticas climáticas robustas não só evitaria colapsos econômicos, mas também impulsionaria o crescimento. Países desenvolvidos veriam um aumento de 60% no PIB per capita até 2050, enquanto nações de baixa renda poderiam alcançar um avanço de 124%, de acordo com a pesquisa.
Além disso, cerca de 175 milhões de pessoas poderiam sair da pobreza até 2030, caso os investimentos em transição energética e mitigação climática sejam acelerados.
“O que temos agora é evidência clara de que investir em transições climáticas não leva ao retrocesso econômico”, destacou Achim Steiner, Secretário Executivo do PNUD. “Pelo contrário, promove crescimento.”
Atraso nas metas climáticas compromete o futuro econômico
Apesar dos benefícios comprovados, a ação climática global segue aquém do necessário. A meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C está cada vez mais distante, enquanto apenas 19 países entregaram atualizações das suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) dentro do prazo estipulado.
“A crescente incerteza econômica e o endividamento público estão desviando os recursos e as prioridades dos governos, enfraquecendo o foco na ação climática”, diz o comunicado da OCDE.
A entidade reforça que adiar políticas climáticas representa um risco direto ao desenvolvimento e à estabilidade econômica de longo prazo.
Ação climática é estratégica e financeiramente viável
A análise conjunta da OCDE e do PNUD conclui que aumentar a ambição climática não apenas é possível, como também faz sentido do ponto de vista econômico. O próximo ciclo de compromissos climáticos, com a entrega das NDCs até 2025, representa uma oportunidade estratégica para alinhar crescimento econômico, mitigação climática e desenvolvimento sustentável.
“A próxima rodada de NDCs pode fortalecer políticas públicas, atrair investimento privado e estimular modelos de crescimento resilientes, especialmente para países em desenvolvimento”, afirmam os pesquisadores.


