A instabilidade no Irã e no Golfo Pérsico está provocando um efeito colateral inesperado no mercado automotivo europeu: a aceleração da transição energética. Com o preço do petróleo disparando, executivos do setor, como Markus Haupt, da SEAT/CUPRA (Volkswagen), preveem que a alta prolongada da gasolina impulsionará definitivamente a demanda por veículos elétricos.
No entanto, há um novo protagonista nesta mudança: o carro elétrico usado. Michael Lohscheller, CEO da Polestar, revelou que o mercado de segunda mão está superando o de veículos novos. Consumidores “sensíveis ao preço” estão trocando o diesel e a gasolina por modelos elétricos usados, que oferecem um custo de aquisição menor em um cenário de eletricidade ainda competitiva.
O desafio da eletricidade
Para que essa tendência se consolide, Haupt alerta: a prioridade número um deve ser manter preços competitivos na conta de luz. Se a eletricidade subir no rastro do petróleo, o atrativo dos elétricos pode evaporar.
Giro climático: O impacto da crise em 2026
Enquanto a Europa discute mobilidade, outros cantos do mundo enfrentam crises de sobrevivência ligadas ao combustível e aos eventos extremos. Confira os destaques do nosso boletim:
1. Crise alimentar em Bangladesh
A guerra no Irã atingiu o interior de Bangladesh em um estágio crítico. Milhares de agricultores não conseguem diesel para os sistemas de irrigação da safra de arroz. Sem combustível, a segurança alimentar da região está sob ameaça direta, agravando o impacto social do conflito no Oriente Médio.
2. Tragédia no Afeganistão
O país enfrenta uma sequência devastadora de desastres naturais. Após inundações, terremotos e deslizamentos que deixaram 148 mortos nas últimas duas semanas, o serviço meteorológico alerta para a chegada de condições ainda mais severas neste fim de semana.
3. O custo da IA na Austrália
Em Nova Gales do Sul, as contas de luz das famílias podem disparar devido à construção de um gigantesco centro de dados avaliado em US$ 70 bilhões. Empresas de energia alertam que a pressão da Inteligência Artificial sobre a rede elétrica e os recursos hídricos é sem precedentes, e a legislação atual não protege o consumidor comum do aumento dos custos.
4. Mineração artesanal na Zâmbia
Um projeto piloto inovador entre a Metalex Commodities e a consultoria canadense Veridicor busca formalizar a mineração de cobre artesanal na África. Através de “títulos de sustentabilidade”, o retorno do investidor é atrelado a metas sociais e ambientais, e não apenas ao volume de produção, tentando garantir direitos aos trabalhadores.
5. Dilema das geleiras na Argentina
O governo de Javier Milei conseguiu aprovar uma reforma polêmica que facilita a mineração em regiões glaciais. A medida permite que as províncias estabeleçam seus próprios padrões de proteção, o que ambientalistas criticam duramente. O risco é o comprometimento de reservas vitais de água doce em áreas periglaciais para dar lugar à exploração mineral.
O cenário de 2026 mostra que a transição energética não é mais apenas uma escolha ética, mas uma necessidade econômica de sobrevivência. Da substituição de frotas na Europa à luta pelo diesel em Bangladesh, o mundo está pagando o preço da dependência fóssil em meio a conflitos armados.
Fonte: Reuters


