O extrato reduziu em mais de 75% as substâncias que reagem com o oxigênio ao entrar em contato com a pele, ou seja, reduziu os compostos que podem causar danos celulares ( imagem: Juliana Barone Teixeira/FCFAr-UNESP ).
O extrato reduziu em mais de 75% as substâncias que reagem com o oxigênio ao entrar em contato com a pele, ou seja, reduziu os compostos que podem causar danos celulares ( imagem: Juliana Barone Teixeira/FCFAr-UNESP ).

Do Campus de Manaus para as prateleiras: Fungo amazônico é a nova aposta para cosméticos sustentáveis

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A cor vibrante de um fungo encontrado entre as árvores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) pode ser a chave para a próxima geração de cosméticos ecológicos. Pesquisadores da UNESP Araraquara, em parceria com a USP e a Universidade de Lisboa, desenvolveram um corante natural a partir do fungo Talaromyces amestolkiae que não apenas colore, mas também trata a pele.

O estudo, publicado na revista científica ACS Omega, demonstrou que o extrato vermelho produzido pelo microrganismo funciona perfeitamente em formulações de cremes faciais, xampus e géis em bastão, mantendo a textura e o desempenho que o consumidor espera.

Mais que cor: Um escudo antioxidante

A grande vantagem do corante amazônico sobre os sintéticos — muitos dos quais vêm sendo banidos globalmente por causarem alergias — é a sua funcionalidade biológica:

  • Poder antioxidante: O extrato reduziu em mais de 75% as substâncias que causam danos celulares ao entrar em contato com a pele.
  • Segurança comprovada: Testes de viabilidade celular mostraram que o produto é seguro e não compromete a saúde dos tecidos cutâneos.
  • Ação antibacteriana: O composto auxilia na preservação e na saúde da pele, agregando valor ao produto final.

Uma década de ciência e bioprospecção

A descoberta não foi por acaso. A professora Valéria de Carvalho Santos-Ebinuma e sua equipe levaram mais de 10 anos para chegar ao estágio atual. O segredo foi simular em laboratório o calor intenso de Manaus, condição que o fungo “prefere” para produzir sua pigmentação vermelha intensa.

“Conseguimos demonstrar que esse corante pode ser aplicado sem causar impacto na experiência do cliente, mas com o benefício de ser um produto de origem natural”, explica Juliana Barone Teixeira, autora principal da pesquisa.

O futuro da bioeconomia Amazônica

O projeto, financiado pela FAPESP, agora foca em escala. O desafio dos pesquisadores é saltar da produção laboratorial para a industrial. Além dos cosméticos, o grupo já estuda o uso desses pigmentos em tecidos e alimentos, como gelatinas.

Essa pesquisa reforça o potencial inesgotável da floresta: “Há muito a descobrir na biodiversidade amazônica. Pode haver outras espécies semelhantes com potenciais que ainda nem imaginamos”, destaca Ebinuma.

Fonte: Agência FAPESP

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