O nível do mar não está apenas subindo; ele está acelerando. Através de uma tecnologia de monitoramento de alta precisão chamada Rastreamento a Laser de Satélite (SLR), pesquisadores da Universidade Politécnica de Hong Kong (PolyU) produziram o registro mais detalhado dos últimos 30 anos (1993-2022) sobre as mudanças na massa oceânica global.
O estudo, publicado na prestigiada revista PNAS, confirma que o nível médio global do mar subiu cerca de 90 mm nas últimas três décadas, a uma taxa média de 3,3 mm por ano. O dado mais alarmante, porém, é que o ritmo de subida está cada vez mais intenso, impulsionado diretamente pelo derretimento recorde das geleiras e calotas polares.
As duas engrenagens da elevação do mar
Para entender por que o oceano sobe, a ciência aponta dois fatores principais:
- Expansão térmica: A água se expande à medida que aquece. Como os oceanos absorvem 90% do calor retido pelo efeito estufa, eles “incham”.
- Nível baristático (aumento de massa): É a adição de água nova no sistema, vinda do gelo que estava em terra (geleiras de montanha e calotas polares).
O papel dominante do derretimento
A inovação deste estudo foi conseguir separar esses dois fatores com precisão inédita. Os pesquisadores descobriram que, desde 2005, o aumento da massa oceânica — ou seja, o “despejo” de água doce no mar — tornou-se o fator principal da elevação do nível das águas, superando a expansão térmica.
Mais de 80% desse aumento de massa vem do derretimento acelerado do gelo terrestre, com destaque para a Groenlândia. Os lasers espaciais mostraram que o derretimento dessas reservas congeladas é agora o grande motor da crise costeira global.
Por que os lasers mudaram o jogo?
Antigamente, os cientistas dependiam de satélites que mediam apenas a “altura” da superfície (altimetria). O uso do laser (SLR) funciona como uma régua de luz que mede distâncias entre a Terra e o espaço com precisão milimétrica, permitindo calcular mudanças na gravidade terrestre. Quando o gelo derrete e a água vai para o mar, a distribuição da massa da Terra muda, alterando sutilmente a gravidade — e os lasers detectam exatamente isso.
O futuro das cidades costeiras
Para o Prof. Jianli Chen, líder da pesquisa, esses dados são cruciais para validar modelos climáticos. Saber exatamente quanto do aumento vem da massa de gelo derretida ajuda a projetar com muito mais segurança quais cidades serão inundadas e quando. “Isso oferece dados fundamentais para projetar cenários futuros e preparar a infraestrutura global para o que está por vir”, afirma Chen.


